Mais de 451 mil mortes adicionais poderão ocorrer em todo o mundo entre Junho de 2026 e Fevereiro de 2027, devido ao calor extremo associado ao actual episódio do El Niño. A estimativa é do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, que prevê um aumento de até 44% nos dias de calor extremo em relação aos padrões habituais.
De acordo com a projecção, as regiões mais expostas incluem o Sael africano, o Sudeste Asiático, a Índia e o Brasil. Em África, o fenómeno poderá estar associado a cerca de 66.800 mortes adicionais no Sael, entre Setembro de 2026 e Fevereiro de 2027.
Os investigadores alertam também para o risco de agravamento das secas, dos incêndios florestais, das inundações e da escassez de água, com possíveis consequências para a agricultura e a segurança alimentar.
Em declarações sobre o fenómeno, o ambientalista Rafael Lucas esclareceu que a estimativa de mais de 451 mil mortes representa uma projecção mundial de mortalidade adicional, baseada em modelos estatísticos, e não uma previsão de vítimas em Angola.
Segundo o ambientalista, o número não significa que as mortes previstas ocorrerão inevitavelmente. Além disso, a estimativa está sobretudo associada aos efeitos do calor extremo e não abrange necessariamente todas as consequências indirectas de fenómenos como a fome, os incêndios, as inundações, as doenças e as deslocações populacionais.
Rafael Lucas sublinhou ainda que as previsões climáticas indicam probabilidades, não resultados definitivos. A dimensão dos impactos dependerá, em grande medida, da capacidade de preparação das autoridades e das comunidades potencialmente afectadas.
Em Angola, os riscos poderão manifestar-se através da irregularidade das chuvas, secas, ondas de calor e inundações. O ambientalista alerta também para possíveis consequências na produção agrícola, na disponibilidade de água, na degradação das pastagens e no agravamento da insegurança alimentar.
As informações atribuídas ao Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INAMET) apontam para uma maior probabilidade de precipitação abaixo da média no Cunene, no Cubango, no Cuando e nas zonas sul das províncias do Moxico e do Moxico Leste.
Por outro lado, algumas áreas do Bié e do Ambo poderão registar precipitação acima da média em determinados períodos.
O ambientalista alerta, por isso, que os efeitos do El Niño não serão iguais em todas as regiões do país. Enquanto algumas zonas poderão enfrentar falta de chuva, outras poderão ser afectadas por precipitações intensas, inundações ou uma distribuição irregular da chuva.
A preparação das comunidades e das autoridades será, assim, determinante para reduzir os possíveis impactos do fenómeno, sobretudo nas regiões mais vulneráveis à seca e à escassez de água.




