No Congresso Internacional de Direitos Humanos de Coimbra, o investigador e activista angolano alertou para o aumento das detenções arbitrárias e julgamentos sumários em Angola. Samussuku levou também a Lisboa o debate sobre a justiça eleitoral na Lusofonia.
O activista e investigador angolano Hitler Samussuku denunciou, em Portugal, o agravamento da repressão e o fortalecimento do modelo autoritário em Angola. A denúncia foi feita no âmbito do Congresso Internacional de Direitos Humanos da Universidade de Coimbra, que decorreu entre 13 e 15 de Outubro, reunindo mais de 200 conferencistas e especialistas da América Latina e da Europa.
Na sua intervenção, o doutorando pela Universidade de Brasília (UnB) falou sobre o aumento das detenções arbitrárias e dos julgamentos sumários em Angola. O investigador alertou que estas práticas enfraquecem o Estado de Direito e põem em causa o respeito pelos direitos e pelas liberdades dos cidadãos.
Durante o congresso, Samussuku chamou a atenção para a situação crítica dos presos políticos angolanos, com particular incidência nas regiões das Lundas e na província do Moxico, além de recordar as prisões efectuadas na capital, Luanda, na sequência das manifestações de Julho de 2026.
O activista destacou ainda casos que têm gerado preocupação na sociedade civil angolana, nomeadamente os de Osvaldo Caholo, o caso dos alegados espiões russos, conhecido como «caso Wagner», do general Nila e de André Miranda. Na sua análise, estes casos não são situações isoladas, mas fazem parte de um cenário de restrição das liberdades e dos direitos fundamentais dos cidadãos.
O investigador sustentou ainda que o Estado tem aprofundado práticas autoritárias, através da repressão de manifestações e da realização de julgamentos sumários.
A passagem por Coimbra integrou uma agenda mais vasta que o activista tem vindo a desenvolver em território português. A 8 de Outubro, Samussuku promoveu, no centro de Lisboa, uma mesa-redonda dedicada à justiça eleitoral e aos processos democráticos em Angola e Moçambique.
O encontro reuniu mais de 150 pessoas e contou com painelistas de relevo no espaço lusófono, como o activista Luaty Beirão, o político moçambicano Venâncio Mondlane, a investigadora Paula Roque e o jornalista William Tonet. Em debate estiveram a transparência dos processos eleitorais, a participação cidadã e o papel dos movimentos sociais na África de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).
Através destas iniciativas, Hitler Samussuku procura articular a investigação académica sobre movimentos sociais e autoritarismo com a acção cívica internacional.
Ao projectar no espaço académico e público europeu as violações dos direitos humanos em Angola, a agenda do investigador reafirma o empenho da sociedade civil na denúncia da repressão e na defesa dos valores democráticos no espaço lusófono.




