O embaixador de Angola na Rússia, Augusto da Silva Cunha, propôs, em Moscovo, o desenvolvimento de projectos conjuntos de investigação científica sobre as particularidades da variante do “português angolano”.
A proposta foi apresentada na última terça-feira durante uma palestra na Universidade Estatal de Relações Internacionais de Moscovo (MGIMO). Com o tema “Oportunidades no Estudo da Literatura e do Português Angolano na Federação da Rússia, visando o Reforço da Cooperação Bilateral”, o evento foi destacado numa nota de imprensa da Embaixada de Angola na Rússia.
Na sua intervenção, o diplomata abordou a dimensão geopolítica da língua portuguesa nos períodos colonial e pós-independência, a relevância da literatura angolana e os fundamentos históricos e políticos que estiveram na origem da manutenção do português como língua oficial de Angola após a Independência Nacional.
Augusto da Silva Cunha salientou a importância da língua portuguesa como instrumento de comunicação, intercâmbio cultural e aproximação entre os povos, bem como o seu potencial para o desenvolvimento da diplomacia educacional e científica entre Angola e a Federação da Rússia.
Valorização das línguas nacionais
Durante a palestra, o diplomata abordou as responsabilidades do Estado angolano, à luz da Constituição da República, no domínio da protecção, valorização e dignificação das línguas angolanas de origem africana, enquanto património cultural, instrumentos de identidade nacional e meios de comunicação.
A este respeito, referiu-se ao pacote legislativo relativo às línguas de Angola, que apresentou como uma iniciativa orientada para a promoção da equidade e da inclusão linguística, assim como para o reconhecimento da diversidade linguística do país.
O embaixador destacou que o estudo do português angolano reflecte a coexistência e a interacção com as línguas nacionais. Para o diplomata, valorizar essa dinâmica é fundamental para preservar a identidade e o património cultural de Angola.




