Cidadãos, académicos, empresários, professores, representantes religiosos e políticos, ouvidos pelo Jornal de Angola nas províncias do Cubango, Uíge, Cuanza-Sul e no Zaire, aguardam do discurso sobre o estado da Nação, a ser proferido pelo Presidente da República, João Lourenço, no dia 15 de Outubro, directrizes capazes de responder aos principais problemas económicos e sociais do país.
As expectativas convergem, sobretudo, para a criação de emprego, recuperação do poder de compra das famílias, redução da pobreza, diversificação da economia, melhoria da Educação e Saúde, construção de infra-estruturas e adopção de medidas capazes de responder às dificuldades sentidas pelas populações.
No Cubango, o secretário provincial do Conselho de Igrejas Cristãs de Angola (CICA), pastor Júlio Simão Sikembi, espera ouvir medidas destinadas à redução da pobreza e à estabilização da economia.
Para o líder religioso, a melhoria das condições sociais depende também da estabilidade económica, razão pela qual defende maior atenção às populações do interior do país, onde persistem dificuldades que, considera, exigem intervenção do Executivo.
O responsável religioso espera igualmente que o Presidente da República apresente medidas para a criação de empregos, sobretudo para os jovens, e para a atracção de investimento privado.
O académico Eduardo Sabalo, também do Cubango, coloca a redução dos preços da cesta básica entre as prioridades. Na sua perspectiva, a descida dos preços contribuiria para aliviar as dificuldades enfrentadas pelas famílias.
Emprego e formação profissional
A empregabilidade juvenil surge como uma das preocupações mais recorrentes entre os cidadãos ouvidos nas diferentes províncias.
No Uíge, o jornalista Xa- vier Basílio defende maior diversificação da oferta formativa nos níveis secundário e superior, com refor- ço dos cursos ligados às engenharias e às áreas técnico-profissionais.
Para o jornalista, uma formação mais ajustada às necessidades da economia pode estimular o empreendedorismo e reduzir a pressão sobre o emprego público.
No Cuanza-Sul, o professor Francisco Mendes Lopes também considera prioritária a criação de condições para a empregabilidade da população activa, sobretudo dos jovens.
A mesma preocupação foi manifestada pela empre- endedora Maria Felismina, no Sumbe, que espera linhas políticas dirigidas à empregabilidade juvenil e à promoção de cursos técnicos capazes de favorecer o auto-emprego.
Em Mbanza Kongo, a funcionária pública Telma Madalena Balu defende políticas de estímulo à economia e ao sector privado, considerando que o Estado não pode absorver todos os jovens formados.
Para a cidadã, a educação deve igualmente merecer atenção, através da formação de professores e da construção de mais infra-estruturas escolares.
Poder de compra e diversificação económica
A estabilização económica e a recuperação do poder de compra constituem outro eixo central das expectativas.
No Uíge, o docente universitário e investigador Bosseke Mansony espera que o Presidente da República faça uma avaliação do desempenho económico do país e apresente estratégias para reduzir a dependência do petróleo, com maior aposta na agricultura, turismo e tecnologia.
O académico defende também novas estratégias para atrair investimento estrangeiro, sobretudo através de parcerias público-privadas, bem como investimentos em infra-estruturas capazes de produzir impacto nas econo- mias locais.
O funcionário público Virgílio Vumbi considera a inflação um dos principais factores de pressão sobre o rendimento das famílias e espera a apresentação de medidas económicas e fiscais destinadas a conter a subida dos preços e contribuir para a reposição do poder de compra.
No Cuanza-Sul, o professor Miguel Pembele também aguarda medidas de estabilização monetária e políticas capazes de reduzir o défice habitacional e melhorar as condições de vida das populações.
Em Mbanza Kongo, o responsável das autoridades tradicionais, Afonso Mendes, espera novas estratégias para enfrentar a subida dos preços da cesta básica e o reforço do combate ao contrabando de combustíveis.
Agricultura como aposta financeira
A agricultura aparece igualmente entre os sectores apontados como fundamentais para a diversificação económica, a criação de empregos e o aumento da produção nacional.
No Uíge, o empresário do agronegócio Almeida Lutucuta espera medidas para facilitar o acesso ao crédito bancário por parte dos produtores agrícolas, bem como investimentos na melhoria das vias de escoamento e redução dos preços dos fertilizantes e sementes.
O empresário defende maior apoio à agricultura, pecuária e pesca, por considerar que o fortalecimento destes sectores pode contribuir para aumentar a produção de alimentos, criar empregos e ampliar as fontes de arrecadação fiscal.
Em Mbanza Kongo, o docente universitário Daniel Finda também defende maior atenção à agricultura e à melhoria das condições de escoamento dos produtos do campo.
Para o académico, a aposta no sector agrícola deve estar associada à redução das assimetrias regionais e à criação de melhores condições para o desenvolvimento económico e social das diferentes províncias.
Saúde e Educação
A melhoria dos serviços de Saúde e Educação constitui outra expectativa transversal. No Zaire, Telma Balu considera necessário reforçar os recursos humanos do sector da Saúde, sobretudo médicos especialistas, apesar da construção de novas infra-estruturas hospitalares.
Daniel Finda defende, por sua vez, uma maior aposta na medicina preventiva e espera medidas destinadas a melhorar o Sistema Nacional de Saúde.
No Cuanza-Sul, Lucinda Cassanje, empregada de limpeza, espera que a mensagem presidencial dê atenção às populações mais desfavorecidas e, em particular, às mulheres que desenvolvem actividades informais para garantir o sustento das famílias. A cidadã considera igualmente importante a redução do número de crianças fora do sistema de ensino.
No Sumbe, Miguel Pembele espera também medidas para elevar a qualidade do ensino e diversificar a formação com maior oferta de cursos técnicos dirigidos à juventude.
Infra-estruturas e desenvolvimento regional
A conclusão de obras e a redução das assimetrias entre as regiões também fazem parte das expectativas. Daniel Finda considera necessário melhorar as infra-estruturas do ensino superior no Zaire e concluir projectos como o Hospital Geral da província e importantes troços rodoviários.
Entre as vias mencionadas, estão os troços Kivola-Nóqui, Luvo-Kuimba e Mbanza Kongo-Uíge, incluindo a ligação por Mbanza Mazina.
No Cuanza-Sul, o professor Francisco Mendes Lopes destacou investimentos realizados em infra-estruturas sanitárias, particularmente hospitais capazes de assegurar assistência a casos complexos anteriormente encaminhados para o exterior.
No Cubango, Júlio Simão Sikembi espera igualmente referências aos projectos executados desde o último período de avaliação e às medidas previstas para continuar a melhorar as condições sociais.
Combate à pobreza e às desigualdades
A redução da pobreza é apontada como uma preocupação que atravessa as diferentes expectativas. Bosseke Mansony defende que a mensagem presidencial deve apre- sentar estratégias concretas para combater a pobreza e melhorar as condições de vida da população, enquanto Júlio Simão Sikembi considera prioritário reforçar as medidas destinadas às famílias em situação de extrema pobreza.
O pastor espera igualmente referências às políticas de protecção social e à criação de oportunidades económicas para os cidadãos.
Os cidadãos ouvidos em Mbanza Kongo defendem, por outro lado, medidas capazes de reduzir as assimetrias regionais e aproximar as condições de desenvolvimento entre as diferentes províncias.
Expectativa por medidas concretas
Apesar da diversidade dos sectores representados, as expectativas recolhidas convergem para a necessidade de uma mensagem centrada nos problemas concretos da população e acompanhada de orientações sobre as soluções a adoptar.
Entre os temas apontados estão a inflação e o poder de compra, emprego juvenil, formação técnico-profissional, agricultura, atracção de investimento, saúde, educação, habitação, infra-estruturas, redução da pobre- za e combate à corrupção e ao contrabando.
No Cuanza-Sul, o secretário provincial da FNLA, António Sebastião, aspira a que o Presidente da República faça um diagnóstico da situação do país e apresente medidas para responder à fome, ao desemprego e aos problemas sociais.
Para diferentes sectores da sociedade, a expectativa é de que o discurso sobre o Estado da Nação permita conhecer não apenas o diagnóstico da situação económica e social, mas também as linhas de actuação para os próximos anos, com particular atenção às famílias, aos jovens, às comunidades do interior e aos sectores produtivos.




