O ataque cibernético que afetou a Unitel nas últimas 24 horas provocou constrangimentos significativos no funcionamento de várias empresas, entre as quais a agência de viagens Pedro 2S, que registou perdas financeiras, dificuldades operacionais e falhas na comunicação com clientes e parceiros.
Em declarações ao Jornal de Angola, o CEO da Agencia de viagens Pedro 2S, Samuel Sanda Pedro, afirmou que a interrupção dos serviços da operadora teve um impacto negativo na atividade da empresa, por esta depender fortemente da internet para assegurar o seu funcionamento diário. "Hoje nada se faz sem internet. Somos uma agência de viagens que presta serviços em diversas áreas, desde o tratamento de documentação até aos processos de solicitação de vistos junto das embaixadas. Para qualquer agendamento, envio de documentos ou comunicação com clientes e colaboradores, dependemos totalmente da internet", explicou. Segundo o responsável, durante o período da interrupção, a empresa recebeu clientes nas suas instalações, mas muitos processos ficaram paralisados por falta de conectividade. "Tivemos a agência cheia, mas não conseguimos dar continuidade aos serviços porque não havia acesso à internet. Tivemos de recorrer a alternativas para algumas tarefas, mas a comunicação com os clientes foi praticamente impossível", lamentou. Prejuízos financeirosSamuel Pedro explicou que os maiores prejuízos registados foram de natureza financeira, uma vez que a empresa teve de deslocar colaboradores para encontros presenciais com clientes, situação que normalmente seria resolvida por telefone ou através de plataformas digitais. "Houve necessidade de deslocações que implicaram custos adicionais. Informações que poderiam ser transmitidas por uma simples chamada telefónica tiveram de ser tratadas presencialmente, aumentando as despesas e atrasando o atendimento", referiu.O empresário reconheceu ainda que a empresa não estava preparada para enfrentar uma interrupção desta dimensão. "Fomos apanhados de surpresa. Desde que utilizamos os serviços da Unitel, nunca tínhamos vivido uma situação com esta dimensão. Ainda hoje os serviços não estão totalmente normalizados", disse. Vulnerabilidade do sectorNa opinião do gestor, o incidente revelou fragilidades na infraestrutura das telecomunicações nacionais e evidenciou o elevado grau de dependência das empresas em relação aos serviços de internet. "O episódio mostrou que a nossa infraestrutura não é tão robusta como pensávamos. Na semana passada já tínhamos registado falhas durante algumas horas e agora enfrentámos uma interrupção superior a 24 horas. Quem garante que amanhã não serão dois ou três dias?", questionou. Samuel Pedro considera que o Estado deve reforçar os investimentos em cibersegurança para proteger as infraestruturas críticas e criar melhores condições para a entrada de novos operadores no mercado das




