EN230: os mais de mil quilómetros da viagem de Luanda às terras dos diamantes do Lucapa

De Luanda ao Lucapa, na Lunda Norte, são mais de 1000 quilómetros de estradas, passando pelas províncias de Icolo e Bengo, Cuanza Norte, Malanje e Lunda Sul.
A viagem iniciou às 10h00, em Talatona, tendo a equipa passado pelo Camama para apanhar os colegas da TV Girassol. A próxima paragem foi no KM 30 na zona do Platôn, no território do Icolo e Bengo onde estrategicamente aguardava a equipa do Correio da Kianda. Mais adiante, no KM44, uma paragem cirúrgica para compra de uma lona e cobrir as malas que deviam viajar na parte de cima da LandCruizer.
Depois em Catete para o almoço. Funge de carne foi o prato mais solicitado. Entretanto, ouve quem preferisse arroz, como foi o caso do Armandinho, da Rede Girassol.
De Catete à Malanje só paramos a entrada do Cuanza Norte para abastecer e esticar as pernas.
Pelo caminho capim seco e amarelado denunciam a falta de chuva e o perigo para as plantações, enquanto que os buracos no asfalto da EN230 assumem o duplo papel de quebra-mola e semáforos, obrigando a trafegar numa velocidade de prudência forçada.
Às 17 horas já estávamos nós na cidade de Malanje e eu o Zacarias Congo aproveitamos para fazer alguns registos fotográficos na rua que dá acesso a Universidade Lueji Anconde. Entretanto foi no bairro Pimpão, onde pernoitamos e fomos honrosamente acolhidos. Aquela doce kizaka, meu santo Deus Malangino!… O Clima? Levezinho com ar puro e fresco a sair das montanhas.
Na manhã seguinte, às 6h00, retomamos à EN 230 rumo a Lunda Norte.
Um dado curioso é que para chegar ao Lucapa (província da Lunda Norte), primeiro entramos na Lunda Norte (município de Xá-Muteba), descemos para Lunda Sul e só depois subimos para o Destino (Lunda Norte).
A estrada está tão boa que permite trafegar a 120/km, e vencer os mais de 500 quilómetros em cerca de quatro horas
Nesta via, só camiões, autocarros de transportadoras inter-provinciais e cisterna de combustíveis. Um ou outro veículo ligeiro, sobretudo carrinhas transportando sacos de carvão.
Às 7h50 estávamos a passar o Município de Xa-Muteba, em Território da Lunda Norte, tendo passado por três postos de controles policial.
Ao longo da Estrada, produtos como sacos de carvão e de bombo são os cartões de visitas das aldeias, bem como alguns artefactos de madeira, produzidos localmente para a venda. E o preço? Quase abaixo da metade do que é praticado em Luanda
Nestas aldeias, a iluminação pública é um facto. E o positivo? Com energia limpa. Os alunos das escolas primárias até fazem-se à estrada as noites para revisar as matérias. Esta realidade pode ser encontrada nos bairros da Samba, Muxinda, Sapiri, Kamba Umba, Muenha Ndango, Sambukila, Xilombo, Calunga Xilombo, Honhoes Muanha ao longo da via.
Às 8h40 estávamos nós a passar pelo Município de Capenda Camulemba, com as suas aldeias como Honhoes Muanha, Mandamba, Muamussongo, Xamiquelengue, Rio Cacuilo, município do Xinge. Quase duas horas depois, às 10h00, eram ares do território de Mualtilunga que estávamos respirar.
10h20h município de Cacolo, onde fizemos o Primeiro abastecimento do dia e esticar novamente as pernas.
Na saída do município, mais um posto de controlo policial. O primeiro em que um agente da Polícia abre a porta de trás da nossa Toyota Land Cruizer para ver o que a viatura de vidros fumados transportava no interior.
Dirigiu uma cordial saudação aos seis jornalistas, fechou a porta e mandou seguir a viagem.
As várias motorizadas de três rodas que circulam nos dois sentidos nas aldeias de Tchicuco, carregando produtos do campo, a moda congolesa, denunciam aproximação a cidade de Saurimo, capital da Lunda Sul.
Situação que se viria a confirmar na aldeia do Pimbe, primeiro com o crescente número de veículos na via, a placa a assinalar 10 km da cidade e a própria vista da cidade.
O controlo policial dá boas vindas à Cidade do Saurimo. Terra natal de muita gente boa. O relógio marcava 11h40
12h30 partida do Saurimo para Lucapa.
Depois de cerca de uma hora, sentimos os primeiros sinais de ligeiros saltos no tapete asfáltico, desde Malange, num troco onde as placas de indicação de fazendas são únicos contrastes da vegetação verde. É na Estrada Nacional 180, em que estamos a trafegar, no limite entre Saurimo e Lucapa, situado há 100 Km do marco fronteiriço.
Algumas marcas no asfalto revelam que a via conheceu algum trabalho da brigada de manutenção de Estradas.
Aqui, o capim verde esconde a existência de valas de drenagem das águas das chuvas ao longo da via.
O rei sol lutava com a rainha nuvens de ficar em baixo. Mas o que é certo mesmo é que a rainha era teimosa e com a sua teimosia ganhou o rei.
Já em Txilumbika, ao longo da via os produtos a beira da estrada são outros. Já começam a aparecer ginguba em grandes quantidades.
Enquanto isso, no interior do carro já os ocupantes da viagem haviam esgotado todas as posições de se sentar. O segredo é fingir sono para fugir psicologicamente do cansaço físico, de estar sentado há mais de cinco horas. Câimbra avisa que esta posição já foi usada em mais de duas vezes. Stela Cambamba, do País, Armando e Simão da Rede Girassol que o digam o quão bom é o sono com o carro em movimento.
Em Saripata uma vasta pista se avista a frente, denunciando o percurso e o tempo da viagem que ainda nos restam para chegar ao destino final.
A medida que nos aproximamos da cidade de Lucapa, começamos a encontrar trocos com buracos a denunciar a necessária intervenção dos homens da brigada de manutenção das estradas, obrigando a redução na velocidade do nosso motorista Josemar.
As mototaxis sobrelotadas na via, e o hospital Geral de Lucapa revelam que chegamos ao destino. 14h00 indicava o relógio.
Os carros contam-se aos dedos, as motos de três rodas, apelidadas localmente de ‘tá maluca’ ocupam as vias e todas as paragens do município que nos acolhe por três dias.
Um dado curioso é que diferente da EN100 para o sul do país, nesta via não vimos qualquer camião a transportar gado, nem sequer em alguma fazenda ao pé da Estrada, como acontece na via Luanda/Benguela.



