Pelo menos 333 enfermeiros de diferentes regiões do país, está a ser capacitado em cuidados intensivos, com foco na assistência ao doente crítico, através do Instituto de Especialização em Saúde, em articulação com a Unidade de Implementação do Programa de Formação de Recursos Humanos para a Saúde (UIP-PFRHS).
Iniciada a 28 de Setembro, a formação aposta numa forte componente prática, com recurso à simulação clínica avançada, permitindo aos profissionais vivenciar cenários próximos da realidade hospitalar e desenvolver competências para responder a situações de elevada complexidade clínica, de acordo com uma nota de imprensa.
O documento refere, ainda, que a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, tem destacado a formação especializada como um investimento estratégico na valorização dos profissionais e no reforço da capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde.
O gestor técnico da UIP-PFRHS, Job Monteiro, considera que a qualificação em áreas críticas contribui para consolidar, em Angola, uma força de trabalho mais especializada e preparada para os desafios da assistência à população.
Segundo a coordenadora nacional do curso, Kátia Estarda, a primeira semana foi marcada por exercícios práticos orientados para o aperfeiçoamento da tomada de decisão, a identificação precoce da deterioração clínica, a comunicação e o trabalho em equipa.
A metodologia de simulação permite aos formandos actuar perante diferentes cenários clínicos, avaliar o próprio desempenho, corrigir procedimentos e repetir intervenções num ambiente seguro, contribuindo para uma maior preparação antes da aplicação das competências em situações reais.
Um dos momentos de destaque da primeira semana foi dedicado ao Suporte Básico de Vida e ao Suporte Avançado de Vida, de acordo com as recomendações da American Heart Association (AHA).
Conduzida pelo professor doutor Nelito Barros, a actividade colocou os participantes perante cenários simulados de emergência, incluindo situações de paragem cardiorrespiratória e arritmias potencialmente graves, exigindo uma resposta coordenada e baseada em protocolos.
Além das competências técnicas, os exercícios permitiram reforçar aspectos fundamentais para a assistência ao doente crítico, nomeadamente a comunicação, a liderança, a tomada de decisão e o trabalho em equipa.
A formação conta com a participação de professores brasileiros, no âmbito da cooperação Angola–Brasil, em articulação com a equipa nacional de coordenação, promovendo a partilha de conhecimentos e experiências.
Os formandos beneficiam igualmente de acompanhamento pedagógico, estudo orientado e acesso a recursos digitais, numa abordagem destinada a consolidar os conhecimentos e favorecer a sua aplicação no contexto assistencial.
A formação em Cuidados Intensivos integra a estratégia do Programa de Formação de Recursos Humanos para a Saúde (PFRHS), financiado pelo Banco Mundial, que prevê formar 38.000 profissionais até 2028, com forte aposta na formação em Angola.
A meta contempla, entre outras áreas, a formação de 9.000 enfermeiros, 9.000 técnicos de enfermagem, 9.000 técnicos de diagnóstico e terapêutica e 3.000 médicos, além de profissionais do regime geral.
Até 30 de Setembro de 2026, o PFRHS contabilizava 22.018 profissionais abrangidos pela formação, dos quais 13.249 são mulheres, correspondendo a 60,1 por cento.
Do universo registado, 20.260 profissionais foram formados em Angola, enquanto 1.758 realizaram formação no exterior do país.
Actualmente, 897 bolseiros encontram-se em formação no exterior, enquanto 855 profissionais já concluíram os respectivos cursos.




