Engenheiro defende “revolução sanitária” para resolver inundações em Angola

O engenheiro hidráulico e sanitário Francisco Lopes defendeu a implementação de uma “revolução sanitária” em Angola, como solução estrutural para os recorrentes problemas de inundações que afectam várias zonas urbanas do país.
Em declarações à Rádio Correio da Kianda, o especialista sublinhou que a resolução do problema passa por um estudo profundo do sistema de saneamento, com base em critérios técnicos rigorosos e numa abordagem liderada por especialistas em hidráulica sanitária.
Francisco Lopes criticou a forma como têm sido executadas obras públicas, sobretudo no domínio das estradas, apontando que muitas intervenções desrespeitam o relevo natural e comprometem o escoamento das águas pluviais.
Segundo explicou, do ponto de vista hidráulico, as vias devem funcionar como canais de recolha e condução das águas provenientes das zonas habitacionais, através de infra-estruturas adequadas. No entanto, a elevação indevida das estradas tem impedido a circulação natural da água, provocando a sua retenção nos bairros.
O especialista alertou que esta falha de planeamento tem dificultado a transferência das águas para os cursos naturais, agravando os riscos de inundações em períodos de chuva intensa.
Francisco Lopes revelou ainda que técnicos da área já apresentaram, há cerca de três a quatro anos, uma proposta designada “revolução sanitária”, concebida como base para um plano nacional de saneamento.
A iniciativa prevê uma abordagem integrada, centrada no estudo do comportamento das águas, no ordenamento do território e na construção de infra-estruturas adequadas para drenagem e retenção.
No caso de Luanda, o engenheiro apontou como solução a criação de estruturas capazes de reter grandes volumes de água, referindo a necessidade de sistemas com capacidade para abranger até 380 hectares.
O especialista defendeu igualmente a criação de um ministério dedicado exclusivamente ao saneamento, de modo a garantir coordenação institucional, planeamento estratégico e execução eficaz das políticas públicas no sector.
Para Francisco Lopes, apenas com uma reforma profunda, baseada em conhecimento técnico e investimento adequado, será possível mitigar os efeitos das chuvas e evitar a repetição de cenários de inundação no país.


