A partir de hoje, o clima mudou, oficialmente, em todo o país, estando, desde as primeiras horas do dia, a vigorar a época de chuva, que dura até 15 de Maio do próximo ano, depois de três meses de cacimbo.
Como alerta pela mudança de estação, o director do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INAMET) informou que, para a presente época chuvosa, estão previstas condições atmosféricas influenciadas por factores climáticos de grande escala, com destaque para o fenómeno “El Niño”.
João Afonso explicou que o fenómeno “El Niño” é causado pelo aquecimento anómalo das águas superficiais do Oceano Pacífico, em particular na região Equatorial Central e Oriental, podendo provocar alterações nos padrões de precipitação e temperatura em diferentes regiões do mundo, incluindo Angola.
De acordo com o histórico, adiantou, o fenómeno pode causar, no país, a ocorrência de chuvas irregulares na região Sul, sobretudo entre os meses de Dezembro e Fevereiro. Os dados climatológicos, continuou, indicam que, de Setembro a Novembro, haverá um aumento da temperatura do ar e da humidade relativa, características desta época do ano.
A elevação da temperatura do ar e da humidade relativa, realçou, vai favorecer as condições de instabilidade atmosférica e a ocorrência de precipitação em grande parte do território nacional entre Setembro e Novembro.
“O ligeiro aquecimento das águas do Oceano Atlântico Sul pode favorecer a maior evaporação e a disponibilidade de humidade relativa, contribuindo para condições favoráveis à ocorrência de precipitação na região Litoral do país, durante o trimestre de Setembro, Outubro e Novembro deste ano”, contou.
Detalhes
O INAMET, informou o director, vai disponibilizar, a 30 do próximo mês de Setembro, a previsão climática sazonal para os trimestres de Outubro, Novembro e Dezembro deste ano e de Janeiro, Fevereiro e Março de 2027, contendo informação mais detalhada sobre a evolução esperada das condições climáticas no território nacional.
A instituição, adiantou, recomenda à população, às instituições públicas e privadas, bem como aos sectores de actividade mais directamente dependentes das condições meteorológicas, que acompanhem regularmente os avisos meteorológicos oficiais, de modo a permitir uma melhor preparação e tomada de decisões face à evolução das condições atmosféricas da época.
Clima em Luanda
Para hoje, a previsão meteorológica disponibilizada pelo site do INAMET indica que em Luanda haverá presença de nuvens e sol, estando a temperatura a rondar os 25º graus. Os dados mostram que não há nenhum sinal de chuva. O maior perigo está no índice ultravioleta que chega aos 10, um valor classificado de muito alto e que requer todo o cuidado da parte dos cidadãos, devido, principalmente, aos riscos dos danos celulares causados por este tipo de radiação.
Corpo de bombeiros está de prontidão
Os membros do corpo de bombeiros estão preparados, a nível nacional, para garantir a vigilância, protecção e socorro a eventuais situações de afogamento nas praias marítimas e fluviais, garantiu, ontem, em Luanda, o porta-voz da corporação.
Wilson Baptista explicou que, durante o período de frio, também conhecido como cacimbo, os operacionais nadadores/salvadores da corporação foram beneficiados com formações e treinamentos intensivos, de modos a estarem preparados, física, técnica e psicologicamente para o enfrentamento.
O bombeiro chefe alertou, ainda, a população para o facto de, apesar do calendário assinalar a mudança de estações a partir de hoje, não ser aconselhável às pessoas usarem as praias tão cedo.
“Vamos observar um período de transição do ponto de vista da sensação térmica, o que significa que teremos até ao início de Setembro temperaturas mínimas muito baixas, situação que por si representa risco de complicações no meio aquático, como cãibras, hipotermia e doenças do fórum respiratória”, avisou.
Em relação à sinalização das praias, o bombeiro chefe disse ser da responsabilidade das capitanias dos portos, nas provinciais do litoral, ao passo que no interior a responsabilidade recai para as administrações municipais.
“Entretanto, temos feito um trabalho conjunto neste sentido, ainda assim, apesar dos esforços empreendidos reconhecemos que a sinalização adequada das praias continua a ser um dos principais desafios”, destacou, por um lado.
Por outro, frisou, a sensibilização, bem como a informação inicial sobre os locais adequados para a prática balnear, tem sido assegurada pelos nadadores/salvadores.
Perigos nos rios
Actualmente, contou, os afogamentos em rios representam mais da metade dos índices de mortalidade. Para mitigar o fenómeno, salientou, o Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, por meio da Direcção de Resgate e Salvamento, em articulação com os Comandos Provinciais, tem desenvolvido acções de sensibilização e educação cívica sobre o risco de afogamento.
“As campanhas são realizadas numa perspectiva de proximidade, por meio do contacto directo dos operacionais com as populações mais expostas e vulneráveis”, esclareceu.




