A assistente social Francelina Tomás acusa alguns operadores de transportes públicos de colocarem o lucro acima da segurança dos passageiros e defende uma fiscalização mais rigorosa às viaturas que circulam nas estradas do país.
A posição surge na sequência dos recentes acidentes e incêndios envolvendo autocarros de passageiros, que voltaram a levantar preocupações sobre as condições técnicas das viaturas, o estado das estradas e a eficácia da fiscalização no sector dos transportes públicos.
Em declarações à nossa reportagem, Francelina Tomás apresentou condolências às famílias das vítimas e defendeu que os recentes casos devem servir de alerta para o reforço das medidas de prevenção.
Para a especialista, a segurança dos passageiros não pode depender apenas da responsabilidade dos motoristas ou das empresas de transporte. O problema, entende, exige a intervenção coordenada de várias instituições do Estado.
“Este problema não tem que ser visto por uma única instituição. É um problema multidisciplinar, onde a Polícia faz o seu trabalho, o Ministério dos Transportes faz o seu trabalho, o Ministério das Obras Públicas também faz o seu trabalho”, afirmou.
Francelina Tomás aponta igualmente o mau estado de várias estradas como um factor que pode contribuir para o aumento dos acidentes rodoviários.
“As nossas estradas não são lá muito famosas, estão em péssimas condições”, alertou.
Mas, para a assistente social, as condições das vias não podem servir para afastar a responsabilidade dos operadores. As empresas que colocam autocarros nas estradas devem garantir que os meios estão em condições técnicas para transportar passageiros.
A especialista defende, por isso, uma avaliação rigorosa das viaturas antes de estas circularem, tendo em conta o número de pessoas que diariamente dependem dos transportes públicos.
“É preciso fazer uma boa avaliação às viaturas para ver se estão em condições de circular, porque carregam vidas humanas”, sublinhou.
Francelina Tomás considera que transportar passageiros representa uma responsabilidade acrescida para os condutores e para as empresas proprietárias dos meios.
“E ao carregar vidas humanas é uma grande responsabilidade, tanto para os condutores como para as agências detentoras destes meios”, acrescentou.
A especialista questiona ainda a forma como algumas viaturas têm sido inspeccionadas e defende que o processo deve ser mais rigoroso, de modo a impedir que autocarros sem condições técnicas continuem a circular.
“O que eu acho é que muitas dessas viaturas a inspecção não tem sido feita como deve ser”, afirmou.
É neste ponto que Francelina Tomás critica directamente a prioridade dada ao negócio em detrimento da segurança.
“As pessoas estão preocupadas em encher os bolsos, em ganhar o seu dinheiro, e não estão preocupadas em velar pelo estado das viaturas”, acusou.
Para a assistente social, a manutenção dos autocarros, a inspecção periódica e a fiscalização dos operadores devem ser encaradas como medidas de protecção da vida dos passageiros e não apenas como exigências administrativas.
A especialista defende ainda que as autoridades devem reforçar a fiscalização e responsabilizar os operadores que colocarem em circulação viaturas sem condições de segurança.
Francelina Tomás entende que a prevenção dos acidentes exige uma actuação conjunta entre as instituições responsáveis pelos transportes, estradas, fiscalização e segurança pública.
“Seria bom que se fizesse um trabalho interdisciplinar em que a fiscalização e a regulamentação fossem bem feitas”, concluiu.
A discussão volta a ganhar força depois dos recentes acidentes e incêndios envolvendo autocarros, colocando no centro do debate a necessidade de garantir que os meios utilizados no transporte colectivo estejam efectivamente preparados para levar passageiros em segurança.




