Luanda – O especialista em Ensino Especial, Osvaldo Gomes, defendeu, esta segunda-feira, em Luanda, o reforço da inclusão educativa de pessoas portadoras de surdez, com a inserção no sistema de ensino de intérpretes da Língua Gestual Angolana (LGA) ou recursos pedagógicos adaptados.
Luanda – O especialista em Ensino Especial, Osvaldo Gomes, defendeu, esta segunda-feira, em Luanda, o reforço da inclusão educativa de pessoas portadoras de surdez, com a inserção no sistema de ensino de intérpretes da Língua Gestual Angolana (LGA) ou recursos pedagógicos adaptados.
Em declarações à ANGOP, a propósito do Dia Mundial da Pessoa com Surdez, assinalado domingo, o também professor universitário considerou que a falta de intérpretes constitui uma barreira à comunicação não apenas nas escolas, mas também nos hospitais, tribunais, serviços administrativos, bancos e outros espaços públicos.
Disse que ser positiva a inserção das pessoas surdas no sistema educativo, mas apontou constrangimentos que ainda dificultam a sua aprendizagem.
"Nos hospitais, explicou, a ausência destes profissionais pode dificultar a comunicação sobre sintomas, diagnóstico e orientações médicas e na escola limita a interacção entre alunos, professores e colegas", sublinhou.
Entre os principais desafios, destacou a falta de profissionais que dominem a LGA, a ausência de intérpretes no I e II ciclos do ensino secundário e no ensino superior, bem como a escassez de materiais adaptados, recursos tecnológicos especializados e próteses auditivas.
Referiu que o predomínio da língua oral nas aulas pode dificultar a compreensão dos conteúdos, defendendo o reforço de estratégias de comunicação acessíveis aos alunos com surdez.
O especialista destacou a importância da LGA no processo de ensino-aprendizagem, por facilitar a comunicação entre professores e alunos, bem como permitir a transmissão de informações, explicações e conceitos de forma acessível.
Acrescentou que a língua gestual permite aos alunos expressarem dúvidas, ideias, sentimentos e conhecimentos, constituindo, para muitas crianças com surdez, uma importante via de acesso à linguagem.
Defendeu ainda a necessidade a formação de professores e a instalação de recursos visuais e tecnológicos adaptáveis ao processo de ensino nas escolas que acolhem alunos s com surdez.
Família e diagnóstico
Osvaldo Gomes defendeu igualmente o envolvimento das famílias no processo de inclusão, através da aprendizagem da LGA, do acompanhamento em actividades escolares e participação nas reuniões com os professores.
Recomendou ainda o estímulo à leitura, escrita, autonomia e responsabilidade, bem como a articulação entre família, escola e profissionais especializados.
Sobre o diagnóstico, afirmou que a identificação e intervenção precoce permite organizar mais cedo respostas adequadas às necessidades da criança.
"No caso da surdez o diagnóstico precoce facilita a adopção de estratégias de comunicação e linguagem, incluindo o acesso à língua gestual, quando esta for a opção adequada", frisou.
Disse que as políticas de inclusão para a pessoa com surdez devem ser extensivas ao mercado de trabalho, com recrutamento de cidadãos que vivem com essa deficiência, o combate à discriminação, formação profissional, estágios, assim como a adaptação dos processos de selecção e comunicação.
Apontou igualmente a necessidade de se sensibilizar os empregadores a valorizar as competências profissionais das pessoas com surdez e apelou às famílias para acreditarem nas capacidades dos filhos e proporcionarem amor, comunicação, estímulo e oportunidades para o seu desenvolvimento.
“A pessoa com surdez não precisa de pena precisa, sim, de oportunidades, acessibilidade, comunicação, educação, trabalho e respeito pelos seus direitos”, concluiu.
A Educação Especial em Angola foi reconhecida como modalidade de ensino em 1979, através da Circular n.º 56/79 do Ministério da Educação, tendo o atendimento inicial abrangido crianças com deficiência visual e auditiva.
Em 1980, foi criado o Departamento Nacional para a Educação Especial, responsável pela organização e acompanhamento deste ensino. A partir de 1994, Angola iniciou experiências-piloto de educação inclusiva nas províncias de Luanda, Benguela e Huíla, posteriormente alargadas a Huambo, Cabinda e Bié.
Já no ano de 2016 a Língua Gestual Angolana (LGA) foi reconhecida oficialmente pelo Decreto Presidencial n.º 10/16, considerado um marco para a educação e inclusão das pessoas surdas no país.
O Dia Mundial da Pessoa com Surdez é celebrado anualmente no último domingo do mês de Setembro com o propósito de sensibilizar a sociedade sobre os direitos, a inclusão e a cultura da comunidade surda. FG/ASS




