Lubango - O ambientalista, Silvano Levi, defendeu no Lubango, mais protecção do Planalto Central angolano, como prioridade da segurança ambiental, sobretudo as zonas de nascente dos grandes rios, para evitar o esgotamento das bacias hidrográficas.
Lubango - O ambientalista, Silvano Levi, defendeu no Lubango, mais protecção do Planalto Central angolano, como prioridade da segurança ambiental, sobretudo as zonas de nascente dos grandes rios, para evitar o esgotamento das bacias hidrográficas.
Considerada como a principal "caixa de água" de Angola, o especialista defende a protecção do Planalto Central, para salvaguardar, também, o potencial agro-pecuário nacional.
Em entrevista à ANGOP, o especialista alertou para a necessidade urgente de acções concretas nesse quesito, dado impacto progressivo das alterações climáticas e do fenómeno El Niño, que ameaçam alastrar-se da região Sul em direcção ao Centro do país.
Disse que o Planalto Central desempenha um papel fundamental no comando hidrológico de quase todo o território nacional, pois funciona como o principal centro de alimentação do lençol freático e de principais bacias hidrográficas do país.
Detalhou ser no Planalto Central onde nascem rios estruturantes como o Cuanza, o Cunene, o Keve, o Cubango, a sua flora deve merecer uma atenção especial, no âmbito da protecção dos objectivos ambientais.
"Se continuarmos a devastar o Planalto Central, a água vai desaparecer e a terra vai aquecer ainda mais. As árvores são agentes fundamentais para a regulação dos ecossistemas e estabilização dos factores climáticos”, sublinhou.
Aconselhou a criação de alternativas sociais e económicas para as comunidades rurais do Planalto Central, a fim de travar a desflorestação e proteger as principais nascentes hidrográficas de Angola.
O especialista apontou que as alterações na geodinâmica externa e interna da Terra, consideradas de escala regional, assumem hoje um carácter local, e no caso de Angola, a quebra no equilíbrio dos ecossistemas reflecte-se em anomalias meteorológicas severas, com o registo de frio fora de época, trovoadas dispersas, secas prolongadas e o progressivo esgotamento das linhas de água.
O académico disse que a integridade ambiental de regiões estratégicas do país está sob forte pressão, devido à acção humana como a desflorestação desordenada, a extracção de madeira, a proliferação de queimadas e a caça furtiva como as principais causas da destruição da biomassa (elemento fundamental para a regulação do clima e protecção dos solos).
“O homem comporta-se, por vezes, de forma irracional, com foco apenas nos seus direitos socioeconómicos imediatos e descuida o dever elementar de preservar o meio ambiente", lamentou.
Para Silvano Levi, o crescimento da actividade industrial global, aliado à expansão urbana e ao uso indiscriminado de fertilizantes químicos na agricultura intensiva, tem acelerado os fenómenos climáticos extremos.
Sugeriu a descentralização do conhecimento jurídico, com a difusão da legislação ambiental fora dos gabinetes académicos, para as leias sejam dominadas pelas administrações locais, autoridades tradicionais e comunidades rurais que vivem junto às nascentes.
A par da vertente legal, apontou o reforço da autoridade local na fiscalização ambiental, pois as lideranças tradicionais e as administrações municipais devem receber mais autonomia e recursos para proteger o círculo biológico e as reservas de água, a fim de conter as agressões ecológicas.
Reforçou ainda o fortalecimento da investigação científica aplicada, através da produção de artigos científicos na realidade climática actual do país, para gerar dados mensuráveis que ajudem o Executivo a desenhar políticas públicas eficientes.
Segundo o académico, o combate ao abate descontrolado de árvores para a produção de carvão não deve assentar apenas em acções policiais ou de fiscalização, mas sim na implementação de políticas públicas que garantam o sustento da população que actua nessa vertente.
Questionado sobre a eficácia das grandes obras hidráulicas em curso no Sul do país, como as barragens do Ndúe, Calucuve, Cafu, entre outras, Silvano Levi, reconheceu o mérito socioeconómico destas infra-estruturas estruturantes.
Destacou que os referidos projectos estão a surtir efeitos positivos na mitigação da seca, no abeberamento do gado e na fixação das populações locais, para uma redução drástica do fenómeno da transumância em direcção ao Norte do país.
Silvano Levi é formado em Geo-ciências pela Universidade do Coimbra (Portugal), especialista em Ordenamento, Agricultura, Pecuária, Enfoque Territorial e Desenvolvimento Rural, para além de consultor independente nas áreas do ambiente, da pecuária, da agricultura de precisão, do ordenamento de território e requalificação de cidades. EM/MS




