Luanda - Um diálogo aberto e maior atenção à qualidade de vida emocional para a prevervar e a valorizar a vida, numa altura que o mundo celebra o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, foi defendido esta quinta-feira, em Luanda, por especialistas em saúde mental e fenómeno social.
Luanda - Um diálogo aberto e maior atenção à qualidade de vida emocional para a prevervar e a valorizar a vida, numa altura que o mundo celebra o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, foi defendido esta quinta-feira, em Luanda, por especialistas em saúde mental e fenómeno social.
O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, assinalar-se hoje, 10 de Setembro, constitui uma oportunidade para reforçar a sensibilização da sociedade sobre a importância da saúde mental, do diálogo e do acompanhamento das pessoas em situação de sofrimento psicológico.
Criada em 2003 pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP), com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), a iniciativa pretende chamar a atenção para o facto de o suicídio ser prevenível e para a necessidade de envolver famílias, escolas, profissionais de saúde, comunidades e instituições na sua prevenção.
Com objectivo de quebrar o silêncio e reduzir o estigma em torno dos transtornos mentais, os profissionais consideram a efeméride uma oportunidade para que todos os sectores da sociedade chamem a atenção para as necessidades que carecem as pessoas em risco, tentativa de morte, sobreviventes e pessoas enlutadas pela causa.
Apontando os sinais de sofrimento, o psicólogo Martinho Kanhame, referiu que a prevenção começa pela capacidade de reconhecer sinais de sofrimento emocional e de criar espaços seguros onde a pessoa possa falar sem medo de ser julgada.
Segundo o especialista, alterações repentinas de comportamento, isolamento social, perda de interesse por actividades habituais, sentimentos persistentes de desesperança e mudanças acentuadas no desempenho escolar ou profissional devem merecer atenção.
“É importante compreender que ouvir alguém que está a sofrer não significa incentivar pensamentos negativos”, explicou.
Acrescentou que uma escuta atenta e sem julgamentos pode ser o primeiro passo para encaminhar a pessoa para a ajuda de que necessita.
Defendeu igualmente o reforço da educação para a saúde mental nas escolas, considerando que crianças e adolescentes devem aprender a identificar e expressar as suas emoções e a procurar ajuda quando enfrentam situações que não conseguem ultrapassar sozinhos.
Por seu turno, o sociólogo João Sassano esclareceu que a análise sobre o fenómeno deve ser abordado também a partir das relações familiares e sociais.
Explicou que situações de isolamento, conflitos, dificuldades económicas, violência, discriminação e ausência de redes de apoio podem agravar o sofrimento de determinadas pessoas, sublinhando que a prevenção não deve ficar limitada aos hospitais ou aos consultórios.
“Deve haver uma abordagem comunitária que envolva igrejas, escolas, associações juvenis, organizações da sociedade civil e meios de comunicação social”, reforçou.
Para o profissional, é necessário construir comunidades onde as pessoas possam falar dos seus problemas sem serem imediatamente rotuladas ou discriminadas, considerando que o primeiro apoio vem de alguém que está próximo, seja um familiar, amigo, professor ou colega.
Conforme o sociólogo, a mudança da narrativa sobre o suicídio passa igualmente por uma comunicação social responsável, que evite o sensacionalismo e privilegie conteúdos educativos e de sensibilização.
Progenitores
Entre os progenitores, a preocupação está particularmente relacionada com o acompanhamento dos adolescentes, numa fase marcada por profundas mudanças emocionais e sociais.
Neste contexto, Graciete Zua, mãe de quatro filhos, defendeu que os pais devem dedicar mais tempo à conversa com os filhos e evitar que problemas aparentemente pequenos sejam desvalorizados.
“Muitas vezes pensamos que os nossos filhos estão bem porque vão à escola, comem e conversam normalmente, é necessário perguntar como se sentem, ouvir as preocupações e mostrar que podem contar conosco”, alertou.
Já o encarregado de educação, Eduardo Costa, disse que a relação entre pais e filhos deve estar concentrada na confiança mútua.
“Os filhos precisam saber que podem falar com os pais sobre qualquer assunto, sem medo de castigo ou de julgamento, podem preferir ficar em silêncio quando mais precisam de ajuda”, afirmou.
Neste contexto, advogaram mais e maior aproximação entre pais e filhos, famílias, escolas e profissionais de saúde, para permitir a identificação atempada de situações que possam comprometer o bem-estar emocional dos estudantes.
Sob o lema “Trabalhar em conjunto para previnir o suicídio”, a efeméride a quer promover a compreensão sobre este grave problema de saúde pública, aumentar a consciencialização sobre os riscos do fenómeno para tornar-se uma prioridade na agenda politica nacional.
Lembrar que o mês de Setembro (Setembro Amarelo) é dedicado a consciencialização sobre a prevenção ao suicídio e a valorização da vida, com o ojectivo alertar a população sobre os fatores de risco e a importância da prevenção do suicídio, que está associado a transtornos mentais em grande parte dos casos.
A cor amarela homenageia Mike Emme, um jovem norte-americano que pintou seu carro de amarelo e cuja morte por suicídio inspirou o programa internacional "Yellow ribbon" (Laço amarelo). VX/VIC




