À margem do segundo e último dia da 4.ª edição da Bienal de Luanda, o primeiro painel do dia abordou a governação da água e a cidadania científica, com foco na participação comunitária, no papel das organizações de mulheres e de jovens, na equidade, na inclusão e nos direitos humanos.
Durante o debate, o engenheiro Carolino Mendes destacou a posição privilegiada de Angola na disponibilidade de recursos hídricos partilhados com outros países da África Austral, defendendo a participação das comunidades na gestão e protecção deste recurso.
Segundo o especialista, Angola contribui com cerca de 30% dos recursos hídricos da bacia do Zambeze, partilhada por oito países, enquanto a sua contribuição para a bacia do Cubango-Cavango ronda os 95% e, para a bacia do Cunene, aproxima-se dos 90%.
Carolino Mendes salientou que o país participa em comissões internacionais de bacias hidrográficas e dispõe de mecanismos de consulta e gestão, como o Conselho Nacional de Águas, os conselhos locais e os conselhos de bacia, que permitem envolver diferentes actores na administração dos recursos hídricos.
O engenheiro destacou igualmente o modelo de gestão comunitária da água nas zonas rurais, no qual as populações participam na gestão e protecção das infra-estruturas de abastecimento. Sublinhou ainda a importância do envolvimento das mulheres, dos jovens e das autoridades tradicionais e eclesiásticas nestes processos.
Por seu lado, o investigador sénior Dhesigen Naidoo defendeu a necessidade de transformar os princípios da gestão dos recursos hídricos em práticas concretas, com a participação dos cidadãos e dos diferentes utilizadores da água, tanto ao nível político como nas comunidades.
Na sua intervenção, recorreu às divergências entre a Índia e o Paquistão em torno de infra-estruturas hídricas para ilustrar a importância da cooperação na gestão de recursos partilhados.
Já Aïssatou Oumar Avaramla alertou para o risco de agravamento dos conflitos relacionados com a escassez de recursos naturais, num contexto de crescimento populacional e de pressão crescente sobre a água e outros meios de subsistência.
A interveniente referiu os conflitos entre agricultores e criadores de gado e apontou a região do Lago Chade como um exemplo de território onde a pressão sobre os recursos naturais se cruza com movimentos migratórios e situações de conflito armado.




