Especialistas defendem promoção de alternativas sustentáveis ao uso do plástico descartável

A criação de sistemas eficazes de gestão de resíduos ao longo dos cursos dos rios e nascentes, bem como a promoção de alternativas sustentáveis ao uso do plástico descartável é uma das soluções para a redução da poluição plástica no país, disse o director-geral adjunto do Centro de Ecologia Tropical e Alterações Climáticas (CETAC).
Em declarações ao Jornal de Angola, por ocasião do Dia Mundial do Ambiente, que se assinala hoje, com o tema “Combater a poluição plástica”, Sérgio Fernando Kussumua afirmou que o impacto da poluição por plástico no país é notório, como consequência da crescente utilização dos mesmos em forma de sacos, garrafas plásticas e outros utensílios descartáveis que têm levado ao acúmulo de resíduos nos ecossistemas aquáticos.
O responsável informou que os plásticos são, frequentemente, encontrados nos leitos e margens dos rios que resultam na obstrução do fluxo hídrico, que cria um acúmulo de resíduos e impede o curso natural das águas. Este desastre, disse, verifica-se em algumas nascentes e alguns rios.
Estudos desenvolvidos pelo Centro de Ecologia Tropical e Alterações Climáticas desde 2013, disse, indicam a contaminação das águas e a libertação de substâncias tóxicas provenientes da degradação dos plásticos, com impacto na fauna aquática.
“Os plásticos, ao se fragmentarem, originam micro-plásticos que são ingeridos por organismos aquáticos, como as algas e peixes. Alguns estudos indicam que estes micro-plásticos podem afectar a fotossíntese de algas, a saúde de invertebrados aquáticos e comprometer todo o ecossistema, até a saúde humana”, alertou.
Consequências para a economia
Segundo o director-geral adjunto do CETAC, a poluição plástica tem consequência directa para a economia. A presença de plásticos nos recursos hídricos, sublinhou, pode levar à contaminação da água potável, aumentando os riscos de doenças para as comunidades locais.
No que toca à actividade económica, acrescentou, a poluição plástica pode, também, comprometer as actividades dos sectores das Pescas e do Turismo.
Sérgio Kussumua apelou para maior acção de todos os actores e defensores do ambiente para a conservação de todo ecossistema.
“É imperativo que nós, enquanto autoridades, governos locais, ONG e outras organizações da sociedade civil implementemos programas de educação ambiental dentro das nossas comunidades para entender o uso do plástico e melhor manuseio do mesmo”, apelou.
A província de Huambo é considerada um berço importante de recursos de água por ter vários rios como o Cunene, o Cubango e o Keve. Estes rios sustentam a biodiversidade local e são essenciais para o abastecimento de água potável, agricultura e geração de energia hidroeléctrica.
Estratégia para eliminação de alguns tipos de plásticos
Com o objectivo de proteger o meio ambiente e a saúde pública, o Executivo elaborou uma estratégia para eliminar alguns tipos de plásticos de utilização única.
A estratégia visa banir gradualmente os plásticos de uso único, esse acto faz parte de um Plano de Acção Nacional, coordenado por uma comissão liderada pelo ministro de Estado e Chefe da Casa Civil, com o envolvimento activo do Ministério do Ambiente.
Este sector reconhece que a gestão de resíduos representa um dos maiores desafios do país, razão pela qual se pretende reduzir o uso de plásticos de forma sustentável e consciente até ao final de 2027, uma das premissas do Plano de Acção.
Preocupação mundial
O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado anualmente a 5 de Junho, é uma das maiores plataformas globais de sensibilização para as questões ambientais.
Instituído pela Organização das Nações Unidas, em 1972, a data mobiliza os Governos, empresas, organizações e cidadãos a reflectirem sobre as urgências ambientais do planeta. Este ano, o tema escolhido é “O fim da poluição plástica global”, destaca a crise do plástico, uma ameaça ao ecossistema, saúde humana e à economia.
A ONU aponta a poluição plástica como a segunda maior ameaça ambiental ao planeta, com a produção de plásticos descartáveis superando a capacidade de lidar com eles.
Nação Verde defende mobilização de recursos
O presidente da Associação Nação Verde, Nuno Cruz, defendeu,ontem, uma mobilização urgente de recursos financeiros e técnicos para enfrentar os desafios da gestão dos resíduos e da poluição plástica.
Em declarações ao Jornal de Angola, por ocasião da 69ª Reunião do Conselho do Fundo Mundial para o Ambiente (GEF), que decorre em Washington, de 2 a 6 de Junho, Nuno Cruz alertou que Angola possui mais 1.600 quilómetros de costa atlântica que enfrenta uma crescente pressão plástica.
O evento visa definir políticas, estratégias e orientações operacionais, bem como aprovar os orçamentos e supervisionar a execução financeira do Fundo Fiduciário do GEF e outros fundos relacionados.
“Vamos continuar a trabalhar por uma Angola mais verde e por um planeta mais sustentável”, disse.
De acordo com o responsável, os resíduos ameaçam a biodiversidade marinha, comprometem os meios de subsistência das comunidades costeiras e agravam as alterações climáticas.
O líder associativo lembrou que a ausência de infra-estruturas adequadas de recolha, triagem e valorização dos resíduos, associada à falha de capacidade técnica local, limita significativamente a eficácia das estratégias nacionais.
A par disso, apelou, no entanto, ao reforço financeiro internacional para projectos que promovam a logística reversa, a economia circular e a inclusão socioeconómica de catadores e comunidades vulneráveis.
Perigo do desmatamento
Para o presidente da Associação Minuto Verde, uma organização virada para as questões ambientais, é importante a participação de todos no processo de combate ao desmatamento acelerado, queimadas descontroladas, uso irracional dos recursos naturais, poluição dos rios e a má gestão dos resíduos sólidos, para evitar perigo na vida da população.
Ao Jornal de Angola, por ocasião do Dia Mundial do Ambiente, que hoje se assinala, Rafael Lucas disse que pela riqueza que Angola possui no domínio da biodiversidade, florestas, rios e solos, está, também, profundamente vulnerável aos efeitos da degradação ambiental, se as autoridades e a sociedade civil não inverterem o actual quadro de mau uso dos respectivos recursos.
O especialista apelou, igualmente, a inclusão da educação ambiental nos currículos escolares, nas igrejas, nas comunidades e nas instituições públicas, para promover a protecção ecológica.


