Malanje - Especialistas em saúde mental apelaram, nesta quinta-feira, ao Governo Provincial de Malanje e à sociedade para trabalharem juntos na sensibilização das famílias, de modo a fortalecer o diálogo com adolescentes e jovens sobre a prevenção do suicídio.
Malanje - Especialistas em saúde mental apelaram, nesta quinta-feira, ao Governo Provincial de Malanje e à sociedade para trabalharem juntos na sensibilização das famílias, de modo a fortalecer o diálogo com adolescentes e jovens sobre a prevenção do suicídio.
Em entrevista à ANGOP por ocasião do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, especialistas apontaram a falta de perspectivas económicas e a pressão social como os principais factores que causam perturbações mentais e levam ao suicídio.
O psicólogo Ladislau Bumba explicou que entre os principais factores de risco estão transtornos como a depressão, o distúrbio bipolar e o abuso de substâncias psicotrópicas.
Segundo o especialista, os casos registados no país e em Malanje, em particular são motivados por distúrbios mentais e afectam, maioritariamente, adolescentes, jovens e adultos.
Ladislau Bumba alertou ainda que, na maior parte das vezes, as famílias falham por ignorarem os sinais de aviso dados pelas vítimas.
Já o sociólogo Soares Esbelto Marcos reforçou que o desemprego e as difíceis condições socioeconómicas contribuem directamente para a prática do suicídio.
Explicou que, embora existam factores internos, a solução passa por fortalecer a educação emocional dos jovens para que saibam gerir as pressões sociais.
Por sua vez, o coordenador do Centro de Apoio Psicossocial da Universidade Rainha Njinga a Mbande, Lalas Pedro, informou que o órgão funciona há sete anos e tem produzido resultados satisfatórios.
De acordo com o responsável, o centro recebe muitos cidadãos em busca de apoio psicológico, familiar, académico e científico e atende também pacientes vindos de outras partes do país.
Porém, o pesquisador do mesmo centro, Cirilo Mendes, disse que pequenas mudanças de hábito ajudam a prevenir o suicídio, tais como minimizar as preocupações ligadas ao trabalho e às finanças, procurar dormir e alimentar-se bem, praticar exercícios físicos e priorizar o lazer.
Lembrou que o suicídio é hoje um grande desafio de saúde pública e uma das maiores causas de mortalidade no mundo.
De acordo com o sociólogo Joaquim Cameia normalmente, os indivíduos dão sinais antes de cometerem o acto com frases de alerta comuns, tais como "Estou aborrecido com este mundo" ou "Um dia vou matar-me".
Por seu turno o especialista do Departamento de Medicina Legal do Serviço de Investigação Criminal (SIC), Cláudio Brandão, apontou os problemas laborais, tais como a falta de preparação para a reforma, o esgotamento profissional e a ausência de estímulos ou promoções em tempo oportuno como também uma das principais causas do suicido.
Enquanto isso, a coordenadora provincial da Associação de Apoio à Mulher Polícia de Angola (AAMPA), Heidy Neto, exortou os cidadãos a evitarem ambientes que promovam o isolamento social e a procurarem ajuda especializada sempre que se encontrarem em estado de tristeza profunda.
Criado em 2003 pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP) em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio busca conscientizar a população global, reduzir o estigma e incentivar acções de prevenção.RM/PBC




