O impacto do aquecimento global nas comunidades mais pobres e marginalizadas deve ser, na opinião dos ambientalistas Nuno Cruz e Pinto Fiel, reconhecido, urgentemente, pelos Estados afectados como uma prioridade, por se tratar de uma questão de direitos humanos.
Para o ambientalista e presidente da Associação Nação Verde, Nuno Cruz, há a necessidade de reforçar a justiça climática, pelo facto de a crise global do clima não ser apenas uma questão ambiental, mas de desigualdade com os povos dos países menos avançados ou em vias de desenvolvimento.
Na opinião de Nuno Cruz, os países que historicamente mais contribuíram para as emissões de gases com efeito de estufa devem assumir uma responsabilidade proporcional à sua contribuição e capacidade económica. “Mais do que uma simples ‘taxa’ a ser paga pelos países poluidores aos menos desenvolvidos, deve falar-se em justiça climática e responsabilidade ambiental”, defendeu, além de pedir a criação de mecanismos financeiros que permitam aos países mais vulneráveis investir em energia limpa, reflorestação e saúde pública.
No caso de Angola, referiu, tais recursos deveriam ser encarados como um investimento na transição para um modelo de desenvolvimento de baixo carbono, mais resiliente às alterações climáticas.
Poluição urbana
Sobre os principais problemas ambientais no país, Nuno Cruz considera que não é correcto apontar apenas para um tipo de poluição como predominante em todo o território, uma vez que a realidade varia de acordo com as regiões e as actividades económicas.
Nas zonas urbanas, destacou, a poluição é provocada pela má gestão dos resíduos sólidos, águas residuais e emissões atmosféricas provenientes do tráfego das actividades industriais e da queima de resíduos.
A deposição inadequada e a queima a céu aberto, acrescentou, podem transformar simultaneamente os resíduos num problema de poluição do solo, da água e do ar. Para o especialista, a resposta deve ultrapassar a lógica de simplesmente limpar os resíduos depois de produzidos. “É necessário apostar na prevenção, redução, reutilização, reciclagem, valorização dos resíduos e responsabilidade do produtor”, disse.
Transparência no financiamento
Na mesma linha, o especialista e consultor ambiental Pinto Fiel considera justa e necessária a contribuição financeira dos países historicamente mais poluidores para apoiar os menos desenvolvidos.
Segundo o consultor, Angola e outros países em desenvolvimento enfrentam consequências como cheias, secas e subida do nível do mar, apesar de terem contribuído em menor escala para as emissões históricas de dióxido de carbono.
Pinto Fiel defende que os financiamentos devem ser direccionados para projectos de adaptação climática, energias limpas e reflorestação, mas sublinha a importância da transparência na gestão dos recursos, para garantir que o dinheiro chegue de forma efectiva aos projectos destinados à protecção ambiental.
Queima de resíduos
Na avaliação do especialista, a poluição urbana, os resíduos sólidos e a poluição atmosférica resultante da queima estão entre os principais problemas ambientais enfrentados por Angola.
O consultor aponta como causas o depósito de lixo a céu aberto, a queima de resíduos, o tráfego automóvel, o uso de geradores a diesel e, em determinadas zonas, problemas associados à actividade petrolífera.
Para inverter este cenário, defendeu o reforço da fiscalização e o acompanhamento efectivo da aplicação da legislação ambiental, incluindo as normas relacionadas com a gestão de resíduos.




