Os especialistas do Hospital Psiquiátrico da Huíla defenderam, quarta-feira, uma maior atenção das famílias e da sociedade no que toca às pessoas com perturbação mental, uma vez que, actualmente, tem aumentado o número de casos de abandono familiar destes pacientes.
Para os peritos, a procura tardia por assistência especializada é um dos factores que continua a agravar os problemas de saúde mental na Huíla. A dimensão do problema é revelada pelos dados mais recentes do Hospital Psiquiátrico da Huíla, que registou 9.303 consultas externas em 2025, entre as quais 6.875 em psiquiatria, 1.522 em psicologia clínica e 691 em medicina geral, além de 1.683 internamentos.
A procura inclui pacientes provenientes da Huíla, Namibe, Cunene, Benguela e Huambo.
O director-adjunto da unidade, Idezibal Aldino, adverte que a dependência de jogos, fenómeno muito comum nos dias de hoje, pode conduzir ao endividamento, a ruptura dos vínculos familiares, ansiedade e depressão, podendo, em situações mais graves, culminar em tentativas de suicídio.
A situação, explicou, também se manifesta em pacientes afectados pelo consumo de álcool e outras drogas. “Muitos casos têm sido acompanhados pela unidade sanitária. Geralmente, nos primeiros sinais de alteração do comportamento, os pacientes tendem a procurar soluções na igreja, antes de buscar por assistência especializada.
“É muito importante reconhecer, precocemente, os sinais de perturbação mental e procurar assistência especializada, a fim de evitar que os pacientes cheguem às unidades sanitárias apenas quando o quadro já se encontra agravado”, aconselhou.
Entre os diagnósticos mais frequentes, registados pelo Hospital Psiquiátrico da Huíla, apontou, estão a esquizofrenia e os transtornos delirantes, com 2.786 casos, os transtornos causados pelo consumo de álcool e drogas, com 2.065, e os distúrbios de humor, com 1.465 casos.
Fundado em 1986 e, localizado na comuna da Arimba, povoação de Poiares, a cerca de 37 quilómetros do Lubango, o Hospital Psiquiátrico da Huíla é uma unidade terciária de referência para o Sul de Angola. A taxa de ocupação dos internamentos atingiu 81 por cento em 2025, sem registo de mortalidade hospitalar.
Apesar da capacidade de atendimento, adiantou, a unidade enfrenta, igualmente, o problema de abandono familiar. “Cerca de 60 pacientes, já considerados clinicamente recuperados, permanecem internados por falta de apoio das famílias, situação associada ao estigma, à pobreza e às dificuldades de reintegração social”, criticou.
Para contribuir para a recuperação dos pacientes, referiu, o hospital tem realizado actividades terapêuticas e recreativas, como pintura, teatro, música, jardinagem, horta comunitária, rodas de conversa, exercícios de respiração e yoga adaptada.




