Luanda – A demora na procura de assistência médica após uma mordedura de animal pode aumentar o risco de morte por raiva, alertou, esta segunda-feira, em Luanda, a médica infectologista Maria Mateta.
Luanda – A demora na procura de assistência médica após uma mordedura de animal pode aumentar o risco de morte por raiva, alertou, esta segunda-feira, em Luanda, a médica infectologista Maria Mateta.
Em declarações à imprensa, a propósito do Dia Mundial contra a Raiva, que hoje se assinala (28), a especialista frisou que a raiva continua a constituir um dos desafios da saúde pública em Angola, devido à elevada letalidade da doença e às dificuldades de acesso atempado aos serviços de saúde, sobretudo para as populações que vivem afastadas dos centros urbanos.
Neste sentido, defendeu o reforço da vacinação dos animais, a disponibilidade de vacina e imunoglobulina antirrábica nas unidades sanitárias e a formação dos profissionais de saúde, para garantir uma resposta rápida aos casos de exposição.
Maria Mateta explicou que a raiva é uma doença viral aguda e grave, causada por um vírus que afecta o sistema nervoso e transmitida principalmente pela saliva de animais infectados, através de mordeduras, arranhaduras ou lambeduras de feridas abertas e mucosas.
A especialista salientou que recorrer inicialmente a tratamentos caseiros, depois de uma mordedura, pode atrasar a procura de assistência médica e aumentar o risco para a vítima.
" Em caso de mordedura deve-se lavar imediatamente a ferida com água abundante e sabão, aplicar um antisséptico adequado e procurar, de seguida, uma unidade sanitária para avaliação e eventual administração da profilaxia pós-exposição", disse.
A médica explicou que os primeiros sinais da doença podem incluir febre, mal-estar, fraqueza e alterações na região onde ocorreu a mordedura.
Com a progressão da infecção para o sistema nervoso, acrescentou, podem surgir agitação, confusão, dificuldade de deglutição, espasmos e alterações perante estímulos como a água.
Segundo Maria Mateta, a doença pode evoluir para uma forma neurológica, caracterizada por agitação e alterações do comportamento, ou uma forma paralítica, com paralisia flácida que pode começar nos membros inferiores e progredir para outras partes do corpo.
Depois da fase neurológica, referiu, o doente pode entrar em coma e morrer, razão pela qual a prevenção após a exposição é fundamental.
Maria Mateta reforçou que a principal forma de prevenção da raiva humana é evitar que a doença chegue ao sistema nervoso, através da intervenção imediata após uma exposição de risco.
Explicou que a profilaxia pós-exposição pode incluir vacinação antirrábica e, nos casos de maior gravidade, a administração de imunoglobulina antirrábica.
As exposições graves incluem mordeduras múltiplas, ferimentos profundos ou lesões na face, cabeça, pescoço, mãos e mucosas, assim como a lambedura de uma ferida aberta.
Considerou que ainda que o combate à raiva exige uma abordagem integrada entre saúde humana, saúde animal e ambiente.
Por sua vez, a médica veterinária Victoria Félix informou que os casos de raiva em animais em Angola apresentam, actualmente, uma tendência de redução, embora persistam situações relacionadas com a falta de vacinação.
Explicou que cães, gatos e macacos estão entre as espécies mais afectadas pela doença.
De acordo com a veterinária, os principais sinais de suspeita de raiva nos animais incluem mudança de comportamento, falta de apetite, fotofobia, hidrofobia, agressividade, salivação excessiva, paralisia e convulsões.
Victoria Félix disse que devem ser vacinados os animais a partir dos três meses de idade e terem vacinação anual durante toda a vida do animal.
Defendeu igualmente a posse responsável, com os animais devidamente vacinados, alimentados e cuidados, e apelou aos proprietários para não permitirem que circulem livremente na via pública.
A médica veterinária acrescentou que, em caso de mordedura, o proprietário deve acompanhar a vítima aos Serviços de Veterinária, levando o cartão de vacinação do animal, quando este estiver vacinado e com a vacina dentro do prazo.
Quando o animal não possui cartão de vacinação, frisou, o proprietário deve se apresentar com o animal e a vítima da mordedura, sendo os casos encaminhados para os serviços de saúde em função dos critérios definidos.
A responsável apelou à população para procurarem informação correcta e assistência médica o mais cedo possível em caso de mordedura, recordando que a raiva é uma doença 100% fatal depois do aparecimento dos sintomas.
O Dia Mundial contra a Raiva assinala-se anualmente a 28 de Setembro, com o objectivo de reforçar a prevenção e o combate à doença.
A raiva está presente em mais de 150 países e provoca cerca de 60 mil mortes humanas por ano, sendo os cães a principal fonte de infecção. FG/ASS




