O contacto entre jovens e pessoas mais velhas deve ser reforçado como forma de preservar a memória colectiva, conhecer a história de Angola e contribuir para a reconciliação nacional.
A ideia foi defendida por Luís Alfredo, à margem de uma conferência sobre reconciliação nacional, que reúne, em Luanda, diferentes intervenientes ligados à memória, ao perdão e à preservação da história dos conflitos políticos.
O estudante considera que os jovens devem ouvir directamente aqueles que viveram os principais acontecimentos do passado, para compreenderem melhor a história do país e evitar que as novas gerações repitam os mesmos erros.
“É nestes ambientes com os mais velhos que podemos aprender o que se passou antigamente, a memória de Angola, para que no futuro nós não passemos pelas mesmas vias que eles passaram”, afirmou.
Segundo Luís Alfredo, os encontros entre gerações permitem conhecer melhor as experiências vividas pelos antepassados e compreender as consequências dos conflitos que marcaram diferentes períodos da história de Angola.
Na mesma conferência, a professora Teresa João defendeu que preservar a memória e devolver dignidade às vítimas dos conflitos políticos também representa uma forma de dar conforto às famílias que perderam os seus entes queridos.
A docente destacou o trabalho da CIVICOP, Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos, considerando que o processo de identificação e entrega dos restos mortais às famílias representa um avanço no caminho da reconciliação.
“De alguma forma traz algum conforto às famílias enlutadas a conservação da honra das vítimas, que contribuíram de forma muito significativa para essa Angola que temos hoje. É gratificante, é muito avanço para o país, porque é com o perdão que nós avançamos”, defendeu.
Teresa João lembrou ainda o programa “Abraçar e Perdoar”, que tem permitido a algumas famílias recuperar e sepultar com dignidade os restos mortais dos seus entes queridos, depois de anos à procura de respostas.
Para a professora, a reconciliação não deve ser vista apenas como uma responsabilidade do Estado, mas também como uma tarefa da sociedade, sobretudo das novas gerações.
“Nós podemos fazer tudo porque fazemos parte da mudança. Antes dizíamos que éramos o futuro e estamos aqui hoje para iluminar tudo que vai fazer bem. Temos que olhar para as nossas valências e para as nossas responsabilidades sociais, para que não deixemos tudo para o Governo”, afirmou.
Os participantes defenderam que a preservação da memória dos conflitos políticos deve continuar a ser incentivada, considerando que conhecer o passado é essencial para compreender o presente, respeitar as vítimas e evitar a repetição da violência.
Para os intervenientes, a reconciliação passa não apenas pela construção de infra-estruturas, mas também pela recuperação da memória, dignificação das vítimas e criação de condições para que as diferentes gerações possam conhecer e aprender com a história de Angola.




