A Faculdade de Ciências das Pescas da Universidade do Namibe definiu as aulas práticas e os estágios como componentes obrigatórias para a conclusão dos cursos de Navegação, Mecânica Naval, Técnica e Processamento de Pescado e Aquicultura, anunciou, ontem, em Moçâmedes, o vice-decano para os Assuntos Científicos e Pós-Graduação, Dinis da Costa.
O responsável explicou que a medida visa garantir uma formação adequada às exigências do mercado de trabalho, permitindo aos estudantes aplicar, em ambiente profissional, os conhecimentos adquiridos durante a formação académica.
Segundo Dinis da Costa, a componente prática é assegurada por meio de parcerias com empresas locais ligadas ao sector das Pescas, que recebem estudantes finalistas para a realização de estágios, com destaque para o Porto do Namibe e a Sicopal.
A Faculdade, disse, tem procurado, igualmente, ampliar a cooperação internacional, por intermédio de protocolos com universidades de Portugal e da Polónia, que apresentam experiência na formação de quadros para as áreas marítimas e na aplicação de conhecimentos técnicos no mercado de trabalho.
O vice-decano sublinhou que as aulas práticas e os estágios abrangem todos os cursos, embora existam dificuldades específicas nos cursos de Mecânica Naval e Navegação, devido às exigências internacionais para a validação da formação, que implicam custos elevados para a instituição e os estudantes.
Reforço do corpo docente
Dinis da Costa apontou, igualmente, a necessidade de reforçar a qualificação do corpo docente, considerando-a fundamental para assegurar a qualidade da formação.
A Faculdade, informou o vice-decano, conta, maioritariamente, com docentes com o grau de mestre e tem quatro professores a frequentar cursos de doutoramento, com o objectivo de reforçar a capacidade científica da instituição.
O responsável considerou que Angola, ainda, necessita de aumentar o número de quadros com formação ao nível de doutoramento, sobretudo nas áreas especializadas relacionadas com as pescas e o mar.
Graduados
Durante os cinco anos de existência da Universidade do Namibe, a Faculdade de Ciências das Pescas, que dá continuidade à formação iniciada pela Academia de Pescas há mais de nove anos na província, já colocou no mercado de trabalho 148 quadros especializados, dos quais 52 estudantes em Aquicultura, 47 em Mecânica Naval, 45 em Processamento de Pescado e quatro em Navegação.
O número reduzido de graduados em Navegação, explicou, deve-se às exigências internacionais para a validação da formação, que obrigam os estudantes a cumprir 12 meses de permanência a bordo, com despesas suportadas pela Universidade.
Apesar dos constrangimentos, o vice-decano considerou que os resultados demonstram o contributo da Faculdade na formação de quadros capazes de responder às necessidades do desenvolvimento económico do país.




