Falta de água potável pressiona famílias em Luanda, enquanto Governo aponta soluções

A escassez de água potável continua a pressionar o quotidiano de muitas famílias em Luanda, com relatos recorrentes de dificuldades no acesso ao abastecimento regular, sobretudo em bairros periféricos da capital. O tema tem dominado intervenções de ouvintes da Rádio Correio da Kianda, que denunciam longos períodos sem água canalizada e o recurso forçado à compra de água a preços elevados.
Segundo os relatos, a dependência de camiões-cisterna tornou-se uma alternativa frequente, agravando os encargos familiares e expondo desigualdades no acesso a um recurso básico. Em algumas zonas, moradores afirmam passar dias ou mesmo semanas sem abastecimento, situação que impacta directamente a higiene, a saúde e a qualidade de vida.
Em resposta às preocupações, o Governo aponta o avanço de projectos estruturantes como parte da solução para o problema. As obras do Projecto Bita, uma das principais iniciativas para reforçar o sistema de abastecimento de água em Luanda, já atingiram cerca de 50% de execução.
A informação foi avançada pelo ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, durante uma visita de constatação às infra-estruturas. De acordo com o governante, os trabalhos decorrem globalmente dentro do cronograma, apesar de alguns atrasos registados na componente de captação de água.
O atraso, explicou, deve-se à paralisação das obras por quatro meses, por exigências do Banco Mundial, bem como aos efeitos da época chuvosa. Ainda assim, está em curso um plano de recuperação que inclui o reforço de equipas, meios técnicos e a implementação de trabalho contínuo para acelerar a execução.
O Executivo mantém como meta concluir o Projecto Bita até Dezembro deste ano, com o arranque dos testes operacionais previsto para Janeiro. A infra-estrutura inclui sistemas de captação, tratamento e distribuição de água, devendo reforçar o abastecimento nas zonas sul e parte central de Luanda.
Paralelamente, o Governo destaca o Projecto Quilonga como outra intervenção relevante, também com conclusão prevista para este ano, no quadro de um esforço mais amplo para aumentar a capacidade de produção de água na capital.
Apesar dos avanços, o ministro reconhece que o principal desafio reside na expansão da rede de distribuição, factor determinante para garantir que a água chegue de forma directa e regular às residências uma expectativa cada vez mais exigida pelas famílias luandenses.


