
É nos shoppings um pouco por toda a Luanda que a febre das cadernetas e dos cromos do mundial de 2026 tem estado a fazer pais gastarem autênticas fortunas. Para completar esta caderneta são necessários 980 cromos, que são distribuídos em saquetas de 7 unidades a um custo de 4.000 Kz, mais do dobro dos cerca de 1.400 Kz que custam em países da Europa como Portugal.
Esta febre que foi importada de outros países transformou-se num verdadeiro fenómeno social, em que crianças, jovens e adultos se reúnem para trocar cromos repetidos e completar as suas cadernetas, numa prática que mistura nostalgia, interação e paixão pelo futebol.
O processo é simples, cada participante leva a sua caderneta e as figurinhas repetidas. Sentados em mesas ou no chão, começam a negociar com outros coleccionadores, trocando os cromos que têm em excesso por aqueles que faltam. Um dos objectivos é completar a colecção oficial do Mundial, um desafio que exige paciência, estratégia e, muitas vezes, sorte.
Mas mais do que completar cadernetas, as pequenas feirinhas realizadas em shoppings como o Avenida ou o Fortaleza têm criado um espaço de convivência familiar e comunitária. É um momento passado em família, porque há famílias em que todos os membros colecionam. Esta febre tem estado em crescendo um pouco por todo o mundo, e nesta era digital potenciou o surgimento de especialistas que interagem nas redes sociais e movimentam milhões de seguidores.
Muitos fazem diagnósticos sobre quanto custa completar uma caderneta A teoria mais aceite entre estas comunidades aponta a uma média de 964 saquetas o que, contas feitas, faz com que seja necessário gastar, em média, 3.856.000 Kz para almejar essa proeza. Mas tudo depende da sorte e das trocas que hoje são feitas em pequenas feiras criadas no Shopping Avenida, no Morro Bento, ou no Fortaleza, junto à Baia de Luanda.
De acordo com a Daniela Candeias, responsável pelo evento "Troca de Figurinhas do Mundial", que tem decorrido no shopping Avenida do Morro Bento, a adesão tem sido "surpreendente". Inicialmente pensado para crianças entre 6 e 12 anos, rapidamente se tornou um ponto de encontro intergeracional.
Crianças, jovens, pais e avós, alguns mais de 80 anos têm participado activamente, trocando cromos e partilhando histórias de colecções antigas. "Isto é para todas as idades. Temos avós e netos a interagirem, pais e filhos, é um leque muito grande", sublinhou Daniela Candeias.
O evento proporciona momentos de aprendizagem, já que os participantes descobrem países, jogadores e curiosidades do futebol mundial, ao mesmo tempo que desenvolvem competências sociais como negociação e comunicação. Famílias partilham momentos de interacção longe das telas O Expansão conversou com famílias que participam nos encontros de troca de cromos do Mundial no Shopping Avenida. Pedro Rodrigues, que acompanhou o filho, destacou o valor social proporcionado por estes encontros.
"É uma actividade comum e saudável. Os miúdos afastam-se da televisão e dos telemóveis, e nós, pais, conseguimos estar mais próximos deles. É uma forma de ensinar paciência e negociação, mas também de criar memórias em conjunto", considera. Já Ana Paula, mãe de duas crianças, sublinhou o aspecto educativo.
"Eles aprendem sobre países, jogadores e até sobre história do futebol. É diferente de estar sozinho em frente ao tablet. Aqui, eles convivem, conversam e até fazem novos amigos", adiantou. As próprias crianças também revelam entusiasmo. João, de 10 anos, contou que gosta de trocar "figurinhas" porque sente que...



