“Fuga de quadro e corrupção entre os entraves à qualidade do Ensino Superior em Angola” – Académico

O sociólogo Agostinho Paulo denunciou o que considera ser uma fuga de quadros qualificados do sistema educativo para a política, motivada por melhores salários e pelas regalias associadas aos cargos políticos.
Segundo o académico, esta realidade compromete a qualidade do ensino superior em Angola e contribui para o fraco desempenho das instituições angolanas nas avaliações continentais.
Agostinho Paulo reagia ao resultado que coloca Angola entre os países que cumprem parcialmente os padrões internacionais de garantia da qualidade das universidades e institutos superiores, de acordo com o mecanismo continental de Harmonização, Acreditação e Garantia da Qualidade do Ensino Superior em África.
“A política asfixiou as universidades. Os gurus da ciência em Angola perderam a veia académica desde foram para a política. Escrevem pouco, publicam pouco e estão mais preocupados com as benesses que o próprio Estado dá”, disse.
Noutra perspectiva, o sociólogo atribuiu igualmente uma avaliação negativa ao alegado esquema de corrupção que, segundo afirma, persiste em universidades e institutos superiores públicos e privados.
“Há muitas universidades e institutos superiores que não têm qualidade para serem institutos superiores, mas, por conta do capitalismo, obviamente que estas funcionam normalmente”, disse.
Na avaliação do mecanismo continental de Harmonização, Acreditação e Garantia da Qualidade do Ensino Superior em África, Angola obteve 3,6 pontos, numa escala de 0 a 5. Embora o resultado evidencie alguns progressos, continua a revelar fragilidades persistentes no subsistema de ensino superior do país.



