Três mil pessoas vivem com hemofilia no país, sendo que, a nível nacional, apenas 177 pacientes, com idades entre os dois e 50 anos, são acompanhados pelo Instituto Hematológico Pediátrico Dra. Victória do Espírito Santo (IHPVES), avançou, terça-feira, o secretário de Estado para a área Hospitalar.
Leonardo Inocêncio considerou,na abertura do Seminário Internacional sobre Hemofilia, que decorre até amanhã, na referida unidade hospitalar, a hemofilia um desafio para o sistema de saúde e para a sociedade, defendendo o fortalecimento da formação de quadros, assistência especializada, bem como a criação de novos polos de atendimento a nível das províncias para garantir o diagnóstico precoce e a melhoria da qualidade de vida aos pacientes.
Dos 177 pacientes, disse, mais de 50 por cento têm complicações articulares, uma das consequências da doença quando os episódios hemorrágicos atingem várias vezes as mesmas articulações, podendo causar deformações físicas e limitações motoras.
O governante salientou que, atendendo à relevância da doença no país, o executivo inaugurou o Instituto Hematológico Pediátrico, com o objectivo de diagnosticar, tratar, reabilitar e fazer o seguimento, sobretudo das crianças afectadas pela patologia, obedecendo políticas instituídas pelo Ministério da Saúde, para o atendimento diferenciado, multidisciplinar e especializado.
A instituição, disse o secretário de Estado, dispõe de uma equipa multidisciplinar integrada por hematologistas, enfermeiros, técnicos de laboratório, ortopedistas, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais e profissionais de odontologia, tendo acrescentado que os doentes beneficiam de factores de coagulação VIII e IX e de tratamento profiláctico com Emicizumabe.
Actualmente, disse, além da capital do país, as províncias de Benguela, Huambo e Huíla também já têm disponíveis consultas de seguimento, sendo que recebem apoio com factores de coagulação fornecidos pelo IHPVES. “A meta é aproximar os cuidados especializados às pessoas com hemofilia e para melhorar a sua qualidade de vida”, realçou.
Formação
Leonardo Inocêncio destacou a parceria estabelecida, desde Dezembro de 2023, entre o Instituto Hematológico Pediátrico e o Hemocentro Unicamp, de Campinas, Brasil, com o apoio da Federação Mundial de Hemofilia, no quadro do projecto “Twinning Centers”.
A cooperação com estas instituições, salientou, tem permitido a formação e capacitação de equipas angolanas, incluindo estágios profissionais no Brasil, com o objectivo de melhorar as competências dos quadros nacionais no diagnóstico e tratamento da hemofilia.
A primeira edição do seminário, realizada no ano passado, recordou, permitiu reforçar a capacidade de diagnóstico de inibidores do factor VIII em pacientes e possibilitou a implementação de tratamento profiláctico com Emicizumabe em cerca de uma dezena de doentes.
A presente edição conta com a participação de profissionais de Angola, Moçambique, Cabo Verde e Brasil, com o intuito de preparar quadros para a abertura de novos polos de atendimento, com prioridade para o diagnóstico laboratorial, a criação de uma base de dados nacional, definição de protocolos terapêuticos e o reforço do tratamento profiláctico, sobretudo para pacientes graves.
A iniciativa prevê, ainda, o reforço da assistência multidisciplinar às complicações músculo-esqueléticas, fisioterapia, reabilitação, cuidados ortopédicos, atendimento odontológico, assim como acompanhamento psicológico e assistência social.
Falta de conhecimento
Por sua vez, o director do Instituto Hematológico Pediátrico, Dra. Victória do Espírito Santo (IHPVES), Francisco Domingos, informou que o número reduzido de pacientes controlados pela unidade sanitária pode estar relacionado com a falta de conhecimento da doença por parte das comunidades e dos próprios profissionais de saúde.
O responsável informou que os sinais da doença surgem desde os primeiros anos de vida, tendo alertado os pais e encarregados de educação para estarem atentos a sinais como hemorragia ou sangramento nasal sem causa aparente.
Francisco Domingos apelou às pessoas diagnosticadas com a patologia, no sentido de evitarem a realização de procedimentos que possam causar sangramentos, como cirurgias, extracções dentárias, circuncisão e determinadas actividades físicas, apontando o diagnóstico precoce como um factor importante para a redução das complicações associadas à doença.



