A prevalência da gravidez na adolescência em Angola caiu de 34,5 para 27,1 por cento numa década, mas continua acima da média da África Subsaariana, estimada em 18 por cento, anunciou o Instituto Nacional de Estatística (INE).
Os dados vêm descritos no Relatório Temático sobre Fecundidade na Adolescência em Angola, tornado público esta Terça-feira em Luanda pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), e revelam que a prevalência é mais alta nas áreas rurais e entre adolescentes sem nenhum nível de escolaridade.
Segundo o inquérito, a prevalência da gravidez na adolescência, em raparigas de 15–19 anos, diminuiu 21,5 por cento, passando de 34,5 por cento no Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS 2015-2016) para 27,1 por cento no IIMS 2023-2024.
O INE refere que a queda da gravidez na adolescência, nesse período, mantém Angola acima da média da África Subsaariana, estimada em 18 por cento, sendo inferior à observada em Moçambique (36 por cento) e na Zâmbia (28 por cento), mas superior à da Tanzânia (23,4 por cento), Camarões (23 por cento) e Gabão (22,9 por cento).
Por províncias, os resultados evidenciam quedas expressivas em Malanje (menos 24,4 pontos percentuais), Lunda Sul (menos 23,2 pontos percentuais), Huíla (menos 19,7 pontos percentuais) e Cunene (menos 14,6 pontos percentuais).
A província de Luanda apresenta a prevalência mais baixa (21,2 por cento no IIMS 2015-2016 e 13,9 por cento no IIMS 2023-2024), "o que pode reflectir maior acesso a serviços de saúde e educação", salienta-se.
Províncias como Cuanza Sul (51,4 por cento), Cuanza Norte (41,3 por cento) e Cuando-Cubango (44,0 por cento) mantiveram prevalências elevadas no IIMS 2023-2024, enquanto na província do Bengo, observou-se aumento de 2,7 pontos percentuais.
Segundo a análise, Angola demonstrou "progressos relevantes, mas a persistência de valores elevados em determinadas regiões e a disparidade entre províncias reforçam a necessidade de estratégias diferenciadas e focalizadas para acelerar a redução da gravidez na adolescência".
Quanto à taxa de fecundidade, esta diminuiu 25,2 por cento, passando de 163 por 1000 adolescentes no IIMS 2015-2016 para 122 por 1000 no IIMS 2023-2024.
A redução foi significativamente maior nas áreas urbanas (33,3 por cento) em comparação com as áreas rurais (18,4 por cento), onde os níveis permanecem elevados, atingindo 195 por 1000 adolescentes em 2023-2024.
Do total de adolescentes registadas nos dois inquéritos, 3444 e 3874 respectivamente, sete em cada dez viviam em áreas urbanas.
Para o INE, os resultados deste estudo evidenciam progressos relevantes na redução da gravidez na adolescência em Angola ao longo da última década, "possivelmente associados ao aumento da escolarização feminina, ao adiamento do casamento e ao maior acesso à informação sobre saúde sexual e reprodutiva".
Defende ainda, entre as conclusões, estratégias integradas que promovam a permanência escolar, previnam o casamento precoce, expandam serviços de saúde sexual e reprodutiva amigáveis para adolescentes e enfrentem normas sociais prejudiciais, visando "acelerar" a redução da gravidez na adolescência e diminuir desigualdades.
A pesquisa, tornada pública em Luanda, foi elaborada com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e do Fundo das Nações Unidas para a População.




