A associação Helpo convocou vários países lusófonos para a 2.ª edição de um "Mergulhão" em simultâneo, no Sábado, que a organização apresenta como um acto simbólico por um mundo mais unido, inclusivo e empático.
Sob o mote “Um Mar, o Mundo Todo”, o "Mergulhão", evento público, gratuito, e aberto a todos, acontece em simultâneo em Portugal, Moçambique, Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, às 10h00 de Portugal.
"É uma satisfação vermos a lusofonia tão bem representada nesta iniciativa", disse à Lusa Paulo Fernandes, da Helpo.
“O Mergulhão é um evento que consiste num mergulho colectivo e simultâneo no mar, como gesto simbólico por um mundo mais unido e em paz’”, descreveu.
Para além das actividades associadas ao "Mergulhão" em diferentes locais, o grande destaque deste ano, segundo Fernandes, “é a adesão de Cabo Verde e Angola, através de associações locais que se juntam à Helpo e ajudam a sensibilizar as suas comunidades para este propósito de união, empatia, paz e cooperação”.
Em resposta escrita enviada à Lusa, Fernandes refere que a Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) mantém, nesta 2.ª edição, o mesmo propósito de promover a união, a empatia e a cooperação entre os povos, mas procura, também, “alargar as causas associadas ao evento, de acordo com as características e iniciativas de cada região”.
Na cidade de Benguela, por exemplo, a iniciativa vai juntar “uma acção de limpeza subaquática, acrescentando uma componente de sensibilização ambiental e de preservação dos oceanos”.
O evento em Angola realiza-se na praia da Caotinha, em Benguela, e é promovido pela Associação Guardiões da Costa Mwangolé, que, em parceria com a escola de mergulho Ombissi Divers Benguela, fará a limpeza subaquática.
Segundo comunicado da Helpo, à semelhança da edição anterior, “nas praias de Moçambique e São Tomé e Príncipe o evento será acompanhado por acções comunitárias de sensibilização ambiental e recolha de lixo, reforçando a dimensão de cidadania e protecção do planeta".
Em Portugal, a iniciativa - que vai decorrer na Praia da Conceição, em Cascais - pretende reforçar, segundo a ONGD, também a sua dimensão inclusiva, ao possibilitar o mergulho a pessoas com mobilidade condicionada.
O projecto Cascais Acessível – Praia para Todos vai permitir que "pessoas com mobilidade condicionada possam participar no mergulho, através da utilização de cadeira anfíbia – Tiralô - com o apoio de voluntários do projecto", disse.
A iniciativa - cuja primeira edição reuniu, em 2025, cerca de 600 participantes em diferentes geografias e contou com o envolvimento de 10 associações — conta, este ano, com a participação de mais dois países e de mais entidades, estimando a Helpo o envolvimento de cerca de mil pessoas.
Segundo Fernandes, a Helpo estende o convite a muitas entidades e associações parceiras, em diferentes regiões de Portugal e noutros países, mas, pela "maior ligação aos PALOP [Países Africanos e Língua Oficial Portuguesa]", onde trabalha com maior regularidade, "tem sido nesses países que o ‘Mergulhão’ tem tido maior adesão".
“Este é um movimento que não conhece fronteiras e que queremos continuar a fazer crescer, chegando, no próximo ano, a mais países e a mais regiões de Portugal”, concluiu.
Desde 2008 que a Helpo desenvolve projectos em Portugal, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau para a promoção do desenvolvimento através da educação, nutrição e saúde materno infantil, ajuda humanitária e de emergência e educação para o desenvolvimento e cidadania global.
A intervenção da Helpo efectiva-se através da construção de escolas, bibliotecas, creches, centros de nutrição, cantinas escolares, sistemas de aproveitamento de águas pluviais, formação comunitária, educação para a saúde, assistência e formação contínua.
Estas actividades são financiadas através do Programa de Apadrinhamento de Crianças à Distância, donativos livres, projetos financiados por agências internacionais e empresas, chegando, atualmente, a quase 182 mil crianças.




