Hospital Julius Nyerere recebe primeiros doentes

Menos de dez horas após a inauguração oficial, o Hospital Especializado de Queimados Julius Nyerere, em Luanda, recebeu os primeiros quatro pacientes, transferidos do Hospital Geral Neves Bendinha, marcando o início da actividade da unidade que passa a ser a principal referência do país no tratamento de queimaduras de elevada complexidade.
Em entrevista ao Jornal de Angola, a directora-geral da instituição, Yenessa Filipe, afirmou que as primeiras horas de funcionamento foram "inicialmente agitadas", com a recepção de quatro pacientes graves transferidos do Hospital Neves Bendinha, "todos eles com critérios de internamento na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI)". Segundo a responsável, "um deles apresentava queimaduras que abrangiam mais de 60 por cento da superfície corporal. Outro encontrava-se igualmente em estado muito grave, com lesões de segundo grau profundo e de terceiro grau na face, região cervical e tórax anterior. Os outros dois apresentavam lesões extensas, embora com diferentes graus de profundidade." Até ao momento em que falava ao Jornal de Angola, por volta das 22 horas, os pacientes encontravam-se "estáveis, sem necessidade de fármacos vasoactivos". No entanto, esclareceu que, apesar da estabilidade clínica, continuam a necessitar de cuidados intensivos, razão pela qual são considerados doentes graves, em estado crítico. Yenessa Filipe fez questão de sublinhar que o doente queimado apresenta características clínicas muito específicas, exigindo uma abordagem distinta da aplicada a outros pacientes.Segundo a directora-geral, o movimento foi maior ontem, "o que já era esperado", tendo a unidade recebido 15 pacientes, dos quais nove com queimaduras. Destes, quatro foram transferidos do Hospital Neves Bendinha. Entre os internados encontra-se uma criança de um ano de idade, com queimaduras nos membros inferiores e em parte do tronco, que reunia critérios para internamento na UCI devido à extensão das lesões. Após a avaliação inicial, foi encaminhada para a Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos. Os restantes pacientes apresentavam outras patologias. Após o atendimento inicial, foram encaminhados para outras unidades hospitalares. Yenessa Filipe salientou ainda que o Hospital Especializado de Queimados Julius Nyerere foi preparado para responder à elevada procura por cuidados especializados destinados a doentes queimados. "O desafio que temos é precisamente responder a essa necessidade e tratar, cada vez mais, casos de elevada complexidade", afirmou. Sílvia Lutucuta enaltece valências da nova unidadeDurante a recepção dos primeiros doentes, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, que acompanhou o início das actividades da unidade, destacou que o hospital dispõe de todas as condições para assegurar o tratamento integral do grande queimado, desde a fase crítica até à reabilitação. Sílvia Lutucuta adiantou que o hospital conta com uma Unidade de Cuidados Intensivos exclusiva para queimados, quartos com humidade e temperatura controladas, áreas especializadas de balneoterapia, bloco operatório altamente diferenciado, serviços de cirurgia reconstrutiva e capacidade para realizar procedimentos de microcirurgia. Importa referir que a infra-estrutura, inaugurada pelo Presidente da República, dispõe de uma capacidade de internamento de 252 camas, das quais 66 são destinadas aos cuidados intensivos. A ministra da Saúde reiterou que, com esta capacidade, o país passa a dispor de um centro nacional de referência equipado para responder às situações mais críticas relacionadas com queimaduras e feridas complexas. Segundo a governante, a unidade reforça significativamente a capacidade de resposta do Sistema Nacional de Saúde, reduz a necessidade de evacuações para tratamento no exterior e eleva os padrões nacionais de assistência nas áreas de cirurgia plástica, cirurgia reconstrutiva, microcirurgia e tratamento do grande queimado.


