O Serviço de Urgência Psiquiátrica do Hospital Psiquiátrico de Luanda (HPL) atende, em média, entre 150 e 200 pacientes por ano, informou, ontem, o director clínico da unidade sanitária.
Jaime Sampaio que falou ao Jornal de Angola durante o 1.º Congresso de Psiquiatria e Saúde Mental aberto quinta-feira e que decorre sob o lema” Olhar para o Futuro”, disse que deste número, cerca de dez a 15 casos são considerados emergências graves.
O médico explicou que a unidade conta com três Serviços de Urgências em funcionamento nas províncias de Luanda, Huíla e Huambo.
Na Huíla, explicou, estão internados 100 pacientes e, o banco urgência regista também uma elevada procura.
Quanto ao Huambo, acrescentou Jaime Sampaio, a área atende uma média de dez a 15 doente por dia.
Desafios
O médico apontou a expansão dos serviços e formação de profissionais como os principais desafios da saúde mental em Angola.
“ A formação deve acontecer através de jornadas, congressos e pós-graduação no país e no estrangeiro, para atender a demanda de pacientes a nível nacional”, defendeu.
Durante o congresso que encerra hoje, além de Angola, especialistas de Portugal, Brasil e Moçambique discutem temas como quadros depressivos, ansiosos graves, consumo excessivo de álcool
Ferramentas digitais
A médica brasileira Ana Telles, uma das participantes ao encontro disse que o uso de ferramentas digitais podem ajudar ou prejudicar, dependendo da forma como são manuseadas.
Ana Telles apelou a sociedade a consumir conteúdo de forma consciente e ir à busca de fontes confiáveis.
“ Precisamos alertar as pessoas, porque o uso excessivo e desregulado das redes sociais está associado a impactos negativos na saúde mental, como aumento da ansiedade, depressão e baixa auto-estima decorrente de comparações”, frisou, salientando que essas plataformas também oferecem benefícios de conexão e apoio quando usadas com limite e consciência.
Avanços
A psicóloga clínica ValdireneComazala, disse que saúde mental é essencial porque determina como se lida com o estresse, nos relacionamos com os outros e a tomada de decisões.
Ao falar dos desafios actuais, a médica reconheceu avanços no país e destacou que o foco já não está apenas no tratamento, mas também na prevenção.
“ Actualmente, as escolas ensinam crianças e jovens a lidar com o estresse e com as emoções desde cedo, para que que tenhamos ambientes mais saudáveis”, considerou a psicóloga clínica.




