A inclusão de crianças com necessidades especiais no sistema de ensino regular continua a exigir a preparação de professores, escolas e familiares. Essa sinergia é fundamental para garantir condições adequadas de aprendizagem, participação e segurança aos alunos com transtornos do neurodesenvolvimento.
O alerta foi lançado, ontem, em Luanda, pela directora da Clínica Reabilitar Diversidade, durante o anúncio do Workshop Reabilitar e da II Conferência de Terapia Ocupacional. Os eventos terão lugar de 14 a 16 deste mês, na Escola Nacional de Administração e Políticas Públicas (ENAPP), sob o lema “A Saúde da Criança que Garante a Longevidade do Adulto”.
Diane Domingos, que é terapeuta ocupacional, explicou que algumas crianças com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) necessitam de acompanhamento intensivo e de estratégias individualizadas para participar no ambiente escolar com segurança.
Mas, a especialista alerta que a responsabilidade pela inclusão não deve ser atribuída exclusivamente à escola, sendo fundamental o envolvimento activo das famílias no processo educativo dessas crianças, pois é em casa que a menino com autismo ou outra dificuldade no neurodesenvolvimento consegue solidificar o seu aprendizado.
“Os pais não podem simplesmente deixar as crianças na escola e deixar toda a responsabilidade aos educadores quando em casa não conseguem lidar com os filhos”, alertou.
Para a directora da Cínica Reabilitary, a inclusão efectiva passa por uma intervenção articulada entre terapeutas, professores, famílias e outros profissionais envolvidos no desenvolvimento infantil.
Porque o objectivo, prosseguiu, é identificar as necessidades de cada criança, trabalhar as competências necessárias para aprendizagem e criar condições para uma participação progressiva no meio escolar e social.
A especialista em Terapia Ocupacional defende, ainda, uma maior aposta na capacitação dos profissionais de educação, sensibilização das famílias e na valorização do acompanhamento especializado desde os primeiros sinais de qualquer dificuldade neurológica.
Apesar dos avanços, sublinhou, o enquadramento da educação inclusiva, preparação dos professores, instituições de ensino e das famílias continua a ser determinante para que o processo da inclusão se concretize de facto.
Diane Domingos explica que algumas crianças com transtornos do espectro autista precisam de acompanhamento intensivo e de estratégias individualizadas para participarem no ambiente escolar com segurança.
E o trabalho desenvolvido pela Clínica Reabilitar Diversidade, realçou, tem contribuído para o processo, através de intervenções ajustadas às características de cada criança e às suas necessidades funcionais.
Desafios para as instituições
A directora clínica da Reabilitary disse que a educação inclusivaconstitui um desafio para as instituições de ensino e as famílias, embora a experiência da clínica reforçe a importância de reconhecer as diferenças no desenvolvimento infantil sem transformar essas diferenças numa barreira ao acesso à educação.
Na ocasião, a directora da instituição informou que a clínica assiste cerca de 100 crianças com diferentes condições de saúde relacionadas com o neurodesenvolvimento, com destaque para o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA), Síndrome de Down, dificuldades de aprendizagem e problemas de comunicação.
“E além das crianças, os pais são envolvidos nas actividades para aprender como lidar com os filhos no dia-a-dia para que eles se possam tornar crianças independentes dentro das suas limitações neurológicas”, disse.




