Dois anos depois do encerramento de algumas instituições de ensino em Luanda, para obras de reabilitação, ampliação e apetrechamento, as escolas 1.º de Maio, Instituto Técnico Comercial, Ngola Kiluanje, Ngola Kanini, Juventude em Luta e a Escola do Ensino Especial do Rangel n.º 1531 estarão, nos próximos dias, prontas para receber estudantes no presente ano lectivo 2026/2027, numa altura em que as empreitadas prosseguem nas Escolas Njinga Mbande e no Complexo Escolar n.º 9001, no Benfica.
O programa de reabilitação, ampliação e apetrechamento das oito escolas, todas localizadas na província de Luanda, foi autorizado, em 2023, pelo Presidente da República, João Lourenço, por meio do Despacho Presidencial n.º 307/23, que incluiu um investimento de 80,9 milhões de dólares, o equivalente a 74.185.300.000 de kwanzas, num trabalho cuja execução está sob a responsabilidade do Ministério da Educação (MED).
Poucas horas antes do início do ano lectivo 2026/2027, a equipa do Jornal de Angola deslocou-se às escolas abrangidas pelo programa para constatar o andamento das obras. Embora tenham existido vários constrangimentos no acesso ao interior de algumas instituições, foi possível constatar diferentes realidades entre elas.
Na escola do II ciclo Ngola Kiluanje, no município da Maianga, por exemplo, os alunos encontram-se a frequentar aulas no município do Rangel, há dois anos, enquanto decorrem as obras na antiga instituição.
De acordo com o director da escola, António Ernesto, os alunos deixaram a instituição em 2023. O responsável afirmou que a mudança não provocou grandes constrangimentos, embora tenha reconhecido algumas dificuldades de adaptação. “No início foi difícil, mas com o passar do tempo, os alunos foram se adaptando às condições da actual escola e à sua localização”, disse.
A equipa de reportagem observou que os trabalhos na escola Ngola Kiluanje se encontravam aparentemente numa fase avançada, tendo sido registada, sobretudo, a realização de trabalhos de pintura.
Entretanto, a direcção mantém a expectativa de que a escola possa estar pronta para o ano lectivo 2026/2027. Segundo o director, o prazo inicialmente previsto para a execução da obra era de 18 meses, correspondente a um ano e seis meses. “Já excedemos o tempo, mas tudo indica que, dentro em breve, os alunos poderão retomar”.
Entrega provisória
O director do Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística (GEPE), do Ministério da Educação (MED), Leonardo Aurélio, disse, ao Jornal de Angola, que o sector já começou a receber, de forma provisória, algumas escolas já reabilitadas.
As obras de reabilitação e requalificação, avançou, de oito escolas da província de Luanda continuam a decorrer sem sobressaltos. “Começamos a fazer a recepção provisória de algumas delas, um acto que continuaremos a realizar nos próximos dias", afirmou.
Leonardo Aurélio garantiu que o MED está a trabalhar para que todas as escolas abrangidas no programa de reabilitação, aprovado pelo Presidente da República, João Lourenço, estejam disponíveis ainda este ano lectivo.
Para o responsável, apesar de algumas escolas apresentarem um nível de execução física bastante avançado, praticamente concluídas e entregues, o objetivo do Ministério é continuar a trabalhar no sentido de ter todas disponíveis para o presente ano lectivo.
Nova denominação e melhorias estruturais
A antiga escola do I ciclo 1.º de Maio é outra que está a ser reabilitada e deve reabrir com uma nova denominação, Colégio n.º11038 (1.º de Maio - Maianga). Além da nova nomenclatura, a instituição foi ampliada, passando agora para 44 salas de aula, cinco laboratórios, três quadras polidesportivas, um ginásio e áreas administrativas.
De acordo com o empreiteiro da obra, Pedro da Cruz, os trabalhos na escola encontram-se a 99 por cento de execução e a instituição deve ser entregue nos próximos dias. A obra, descreveu, permitiu ampliar e dividir as salas de aula que, anteriormente, apresentavam dimensões superiores às restantes. “A obra durou um ano e cinco meses. Estamos a fazer os últimos ajustes para, posteriormente, entregar ao Ministério da Educação”, disse.
Ainda no Largo do Primeiro de Maio, a equipa de reportagem visitou o Instituto Técnico Comercial de Luanda, do II ciclo, onde as obras já foram concluídas e, de acordo com o contrato, teve a duração de 12 meses. Sem darem entrevistas, a equipa notou os empreiteiros ainda no local a realizarem trabalhos de acabamentos no pavimento externo.
Enquanto isso, os possíveis candidatos à vaga para o ano lectivo 2026/2027 eram encaminhados para outras instituições, a fim de realizarem as inscrições para a matrícula.
Trabalhos concluídos
A escola do I ciclo Juventude em Luta e a Ngola Kanini, ambas localizadas, igualmente, no Largo das Escolas, em Luanda, estão acima dos 90 por cento de execução. Ainda sob responsabilidade dos empreiteiros, a equipa de reportagem notou que os trabalhos já estão na fase final.
O subdirector administrativo da escola Juventude em Luta, Catarino Isidro, referiu que, até ao momento, não tem muitas informações sobre o futuro da instituição. “Há dois anos que estamos a funcionar numa outra instituição devido às obras na antiga escola. Porém, aguardamos por mais informações do Ministério da Educação para saber o rumo da escola”, disse.
Trabalhos de reabilitação em curso
A escola do Ensino Especial do Rangel n.º 1531, que tem como objectivo de educar, cuidar e apoiar pessoas com necessidades educativas especiais, como deficiências físicas, intelectuais, visuais, auditivas ou autismo, está a ser reabilitada para dar mais conforto e dignidade aos estudantes.
As obras, que iniciaram em 2024, segundo o empreiteiro Jorge Almeida, já passam dos 50 por cento de execução. A equipa garantiu a reabilitação e ampliação da escola com a construção de novos blocos e salas de aula.
No total, a instituição deverá contar com 32 salas de aula. Entre os trabalhos já concluídos, disse, estão as coberturas dos edifícios, enquanto as equipas trabalham, actualmente, na preparação dos acabamentos internos, como a colocação de portas e janelas, pintura, instalação de tectos falsos e tratamento dos pavimentos.
Apesar de ainda faltarem várias etapas, referiu, a empreitada mantém-se dentro do prazo previsto. A previsão apresentada no local aponta para a conclusão, ainda este ano, desde que não surjam novos constrangimentos durante a execução.
Na escola do I e II ciclo Njinga Mbande, a observação feita no local mostrou um recinto ainda em organização, com alguns materiais de construção no espaço, indicando que os trabalhos permaneciam em execução. A instituição está encerrada para as obras há mais de dois anos.
As direcções das referidas instituições não puderam passar muitas informações sobre o seguimento das obras.
Engrácia Francisco e Marisa Quienda




