As barragens de retenção do Maungo, Lucira, Tchitunda e Embala, construídas entre as décadas de 1960 e 1970, na província do Namibe, ainda detêm um solo favorável para obras de reabilitação e reaproveitamento, afirmou, ontem, o vice-reitor para os Assuntos Científicos e Pós-graduação da UAN, João Baptista.
A informação resultou de um trabalho cientifico realizado durante cinco meses, por uma equipa de investigadores da Universidade Agostinho Neto (UAN), do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INAMET) e dos Serviços de Geofísica Aplicada (SEGEO LDA).
O vice-reitor para os Assuntos Científicos e Pós-graduação da UAN afirmou que o estudo incidiu nas barragens localizadas no Namibe, por ser uma das regiões mais afectadas pela seca em Angola, que resulta em consequências graves para diversos sectores socioeconómico, com destaque para a agricultura.
De acordo com João Baptista, para reter a pouca água das chuvas foram construídas, entre as décadas de 1960 e 1970, quatro barragens de retenção de água, que com o passar do tempo foram degradando-se e perderam a capacidade de armazenamento.
Porém, frisou, a investigação identificou que apesar do tempo, o solo ainda é favorável. “Os resultados fornecem informações técnicas para apoiar o planeamento das intervenções de reabilitação”, disse, acrescentando ainda que foram identificadas áreas que necessitam de maior atenção, de acordo com as características geológicas de cada local.
Com o conhecimento das zonas de fragilidade, explicou, os responsáveis pelas futuras intervenções poderão definir medidas de tratamento mais adequadas, reduzir a realização de obras desnecessárias e melhorar a aplicação dos recursos financeiros destinados à recuperação das infra-estruturas. “A recuperação dessas estruturas de retenção poderá contribuir para aumentar a disponibilidade de água e reforçar a capacidade de resposta das comunidades locais aos efeitos da escassez hídrica”, afirmou.
João Baptista referiu, igualmente, que além da aplicação no Namibe, a metodologia poderá ser utilizada na avaliação de outras infra-estruturas de armazenamento de água em Angola e em regiões com condições geológicas e climáticas semelhantes.
Intitulado Mapeamento Geotécnico das Zonas de Fraqueza Geológica por Resistividade Eléctrica para o Armazenamento de Água, Namibe, Angola, o trabalho foi apresentado na 19.ª Conferência e Exposição Bienal da Associação Geofísica da África do Sul (SAGA), que decorre até amanhã, na Cidade do Cabo, na África do Sul.




