Lubango – Os jornalistas devem evitar uso de conceitos que possam traumatizar as mulheres vítimas de violência no género, ao tratar factos ligados a esse fenómeno, alertou no Lubango a radialista reformada Emerenciana Sanumbutue.
Lubango – Os jornalistas devem evitar uso de conceitos que possam traumatizar as mulheres vítimas de violência no género, ao tratar factos ligados a esse fenómeno, alertou no Lubango a radialista reformada Emerenciana Sanumbutue.
Palestrante num evento promovido pelo Fórum de Mulheres Jornalistas para a Igualdade de Género (FMJIG) e o Sindicato de Jornalistas Angolanos, na terça-feira na Huíla, sobre “O Papel da Mulher Jornalista no Combate às Normas Prejudiciais para Mulheres e Violência Baseada no Género”, a activista considerou que hoje a forma como os factos são apresentados pode contribuir para produzir estereótipos ou normas prejudiciais às mulheres.
Na sua intervenção, antiga jornalista da Rádio Nacional de Angola alertou para a necessidade de os jornalistas desenvolverem o senso crítico na escolha das palavras e na abordagem de casos de violência, evitar o uso de expressões que minimizem a gravidade dos factos ou transfiram para a vítima a responsabilidade pela agressão.
A jornalista questionou, particularmente, o uso da expressão “crime passional” em casos de violência baseada no género, por considerar que a terminologia pode ocultar a natureza da violência e afastar a atenção das responsabilidades do agressor.
Sublinhou que o exercício jornalístico exige investigação, verificação dos factos e transmissão de informação de interesse público com clareza, rigor e ética.
Para a prelectora, as mulheres jornalistas devem conhecer as normas jurídicas, sociais e práticas tradicionais presentes nas comunidades, de modo a identificar situações que possam colocar as outras em posição de inferioridade.
Emerenciana Sanumbutue destacou ainda que a violência baseada no género não se limita à agressão física e pode manifestar-se de forma psicológica, emocional, sexual, económica, patrimonial e verbal, bem como através do abandono familiar.
A palestrante reconheceu que as próprias mulheres jornalistas enfrentam desafios no exercício profissional, tanto nas redacções como durante a cobertura de casos de violência baseada no género, como até situações de assédio e tentativas de descredibilização.
O encontro em que participaram mais de 30 profissionais de comunicação social permitiu a recolha de contribuições sobre os desafios da cobertura jornalística nas comunidades e partilhar boas práticas para uma abordagem mais responsável das normas e tradições prejudiciais às mulheres e do fenómeno de violência no género.
As recomendações resultantes do debate serão documentadas pelo FMJIG e partilhadas com diferentes actores, com vista à identificação de mecanismos de resposta às questões levantadas. BP/MS




