“Jornalistas da Rádio Ecclésia não são missionários”, afirma Sindicato sobre precariedade salarial na emissora católica

Alguns jornalistas da Rádio Ecclésia recebem como salário mensal 40 mil kwanzas, sendo que alguns estão há mais de um ano sem os receber, uma situação que tem os dias contados, como fez saber o Secretário Geral do Sindicato, que afirma que os profissionais daquela emissora católica de Angola não podem ser vistos como missionários.
“Nós exigimos que o salário mínimo para os jornalistas da Rádio Ecclésia seja de 200 mil kwanzas. A caridade e a missionação aqui não cola. Não vale a pena continuarmos a dizer que os jornalistas da Rádio Eclésia são missionários”, disse.
Pedro Miguel, que falava nesta quarta-feira, à imprensa a margem da segunda Conferência Nacional sobre Liberdade de Imprensa e Acesso às Fontes de Informação que decorreu em Luanda, garantiu a luta contínua para a melhoria dos salários nos órgãos de comunicação social privados, à semelhança do que aconteceu com a media pública.
O secretário-geral do Sindicato de Jornalistas Angolanos disse que o movimento que tem vindo a ser feito consiste na actualização salarial e a progressão na carreira e que a Rádio Ecclésia Huambo é o ponto de partida das negociações para a melhoria das condições salariais e laborais dos profissionais dos órgãos de comunicação social privados.
Pedro Miguel anunciou, por isso, para os próximos dias o início de negociações com a direcção da Rádio Ecclésia, avisando a revisão dos salários dos funcionários, que, segundo a organização, deverão situar-se a partir dos 200 mil kwanzas.
Chamado a reagir, o Director Geral da Rádio Ecclésia, Padre Gaudêncio Fêlix Yakuleinje, começou por dizer que é do interesse da emissora aumentar o salário dos funcionários, fazer esta progressão na carreira. Entretanto sublinha que este interesse depende da sua capacidade financeira para honrar com estes compromissos.
“Tem que se fazer, por exemplo, se estão a exigir que sejam 200 mil para cada funcionário, é preciso saber as entradas mensais de cada rádio. Há rádios que nem sequer 30 mil entram, mas é um serviço útil à sociedade”, sublinhou.
O sacerdote afirmou ainda que vários factores contribuem para que o vencimento salarial dos jornalistas varia de província para província, razão pela qual algumas das rádios diocesanas pagam de forma variada 50 e 60 mil kwanzas, havendo outras em que nada pagam e trabalham com voluntários.
“A terceira nota, acho que há necessidade, mesmo o sindicato deveria fazer esse esforço, em vez de exigir das rádios o pagamento de 200 mil, deveria fazer o esforço para que o executivo pague algum subsídio às rádios privadas”. sugeriu.
Quando confrontado sobre a atribuição de responsabilidades de melhorar as condições salariais, para pedir ao sindicato, o gestor disse que deve sem um missão que deve ser distribuída às duas partes.
“Eu acho que as direções devem fazer a sua parte e o sindicato também fazer. Porque se todos nós nos empenharmos nisto, podemos encontrar melhores soluções”, disse.
Acrescentou ainda que nem mesmo em Luanda a Rádio Eclésia está, neste momento, em condições de pagar 200 mil kwanzas como salário mínimo.
“Se assim o fizermos, ao nos pagar o primeiro mês, o segundo mês muito arrasca e o terceiro mês estaremos em falência”, garantiu.


