No âmbito das celebrações do seu 18.º aniversário, o Jornal OPaís, órgão pertencente ao Grupo MediaNova, promoveu, na última Sexta-feira, 23, no auditório da Universida- de Independente de Angola (UNIA), em Luanda, um ciclo de conversas com os estudantes daquela instituição, docentes e profissionais de comunicação social, onde foram discutidos os valores que norteiam a profissão de jornalista e os diferenciam do criador de conteúdos digitais
Durante a primeira edição do ciclo de conversas, os jornalistas Daniel Costa, Director do Jornal OPAÍS, e Teixeira Cândido, orador convidado, apelaram ao uso da ética, por parte dos profissionais do jornalismo, como elemento de diferenciação entre a classe jornalística e os colectivos de criadores de conteúdos que surgem de forma acentuada na era digital na qualidade de orador, Teixeira Cândido, antigo secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), começou por ressaltar que, no contexto actual, onde muitas pessoas presumem ser jornalistas, produzindo informações e divulgando-as através das redes sociais, o verdadeiro profissional de jornalismo difere-se e deve diferir-se pela ética profissional que norteia os princípios deontológicos.
Teixeira Cândido ressaltou que, nos dias actuais, com a expansão da era digital, é fundamental que o profissional de comunicação social se adapte aos novos contextos, mas que, acima de tudo, não perca a sua ética e valores profissionais por serem estes elementos que o vão distinguir dos demais indivíduos que se auto consideram jornalistas.“Qualquer um de vocês para exercer a profissão tem de ter uma carteira profissional e, se qualquer um de vocês violar a ética, corre o risco de ser sancionado pela Co- missão de Carteira e Ética. Portanto, a ética hoje tem um valor que não tinha no passado”, considerou o também docente, salientando a importância de se verificar a informação e de se ouvir o contraditório.
Questionado sobre a possibilidade da extinção da classe jornalística tradicional, face à proliferação das plataformas digitais e das redes sociais, o profissional declarou que o jornalismo não vai desaparecer mesmo numa era mais digital. Antes, observou, diante das evoluções que a sociedade passa, a classe vai sobreviver pela qualidade e comprometimento com um conjunto de valores que lhe permitem distinguir-se de outros colectivos profissionais. Para si, não importa com que meios ou em que contexto o jornalismo é feito, a ética e a deontologia profissional são e sempre serão valores irrefutáveis no exercício da profissão.




