Juristas e politólogos questionam legitimidade da eleição do novo presidente do MEA

O jurista David Mendes questionou, a legitimidade da eleição de Simão Formiga como novo presidente do Movimento dos Estudantes de Angola (MEA), considerando insuficiente o nível de representatividade do processo eleitoral realizado durante a III Assembleia Geral da organização, decorrida de 3 a 4 de fevereiro.
As declarações foram feitas durante o programa Tribuna Livre, da Rádio Correio da Kianda, onde o académico defendeu que, tendo em conta a dimensão nacional e a abrangência do MEA, a eleição não reflecte uma participação ampla dos estudantes angolanos. Para David Mendes, a reduzida expressão dos votos levanta dúvidas quanto à legitimidade política e representativa da nova direcção.
Na mesma linha de análise, o politólogo Almeida Pinto pediu maior clareza sobre os critérios eleitorais adoptados pela organização estudantil, sublinhando que os 86 votos obtidos por Simão Formiga não correspondem à diversidade geográfica e ao número de províncias que compõem o país. Segundo o analista, o processo deveria garantir uma representatividade mais equilibrada das estruturas estudantis provinciais.
Almeida Pinto defendeu ainda que o MEA deve assumir uma postura pedagógica e institucional, sobretudo sob a liderança do novo presidente, lembrando que o cumprimento rigoroso dos procedimentos legais é essencial para que a organização possa reivindicar, com legitimidade, os direitos dos estudantes junto das autoridades.
Recorde-se que o Movimento dos Estudantes de Angola elegeu, na última quarta-feira, Simão Formiga como novo presidente, com 86 votos a favor, num processo que contou com a participação de cerca de 150 delegados provenientes de várias províncias do país.



