Juventude divide opiniões sobre impacto das políticas públicas do Executivo

No Dia da Juventude Angolana, assinalado esta terça-feira, 14, em Luanda, jovens e representantes de organizações juvenis apresentaram avaliações distintas sobre o impacto das políticas públicas dirigidas à juventude, sobretudo nos domínios da formação, emprego e inclusão social.
A data foi marcada também pela mensagem do Presidente da República, João Lourenço, que destacou a juventude como principal força motriz do desenvolvimento do país, sublinhando o seu papel na consolidação da paz, da democracia e na construção do futuro de Angola.
Na sua comunicação, o Chefe de Estado reforçou ainda a importância do investimento contínuo na formação, no empreendedorismo e na criação de oportunidades, apelando ao envolvimento activo dos jovens nos processos de desenvolvimento nacional.
Apesar da mensagem presidencial, no terreno persistem opiniões divergentes sobre o alcance efectivo das políticas públicas.
O jovem empreendedor Monteiro Pedro, afirma ter conseguido a sua inserção no mercado de trabalho através de programas de formação promovidos pelo Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, considerando que existem sinais de esforço governamental na criação de oportunidades.
“Consegui trabalhar depois da formação. Acho que há programas que estão a ajudar os jovens a entrar no mercado”, referiu.
Por outro lado, Cristina Weza, apresenta uma visão mais crítica, defendendo que muitos jovens continuam sem perspectivas claras de inserção profissional, o que, segundo afirma, tem impulsionado o aumento da emigração juvenil.
“Há muitos jovens a sair do país porque não encontram oportunidades aqui. As políticas ainda não chegam a todos”, afirmou.
No plano político, o representante da JMPLA, Gerson Vilar, sustenta que o Executivo tem promovido espaços de diálogo e participação juvenil, garantindo inclusão de diferentes sensibilidades no debate sobre políticas públicas.
Em sentido oposto, o secretário-geral da JFNLA, Carlos Cassoma, critica o que considera ser uma execução desigual das políticas, alegando existência de exclusão e favorecimento partidário no acesso a oportunidades.
Já o secretário nacional da JUPAL, Bonifácio Mabiala, destaca desafios persistentes no sector da educação, como longas distâncias até às escolas e a falta de merenda escolar, factores que, segundo afirma, comprometem o desempenho dos estudantes.
A data fica marcada por leituras contrastantes sobre o real impacto das políticas públicas para a juventude angolana, num contexto em que o desemprego e a emigração continuam a ser apontados como principais preocupações do segmento juvenil.



