A escritora Alexandrina Ferreira afirmou, quinta-feira, em Luanda, que o livro “A Palavra que Eu Procurei: A História Real de uma Mãe no Mundo do Autismo” pretende transformar a dor provocada pelo diagnóstico do autismo numa mensagem de esperança para muitas famílias.
A obra é apresentada amanhã, às 17h00, no Belas Business, em Luanda, e aborda as dificuldades enfrentadas pelas famílias angolanas, sobretudo pelas mães que acompanham crianças com autismo.
Em declarações, ontem, ao Jornal de Angola, Alexandrina Ferreira disse que o livro nasceu de uma experiência pessoal marcada pela coragem, resiliência e determinação de continuar perante um cenário inicialmente incerto.
“Vi a minha vida mudada para sempre quando o meu filho foi diagnosticado com autismo. Depois do diagnóstico, o caminho parecia incerto, mas o tempo deu-me a maior lição da vida”, afirmou.
Mais do que um relato autobiográfico, explicou, a obra constitui um testemunho de amor, fé, resiliência e da força transformadora da maternidade.
A escritora considera que, perante as dificuldades associadas ao diagnóstico, o amor pode abrir caminhos e ajudar as famílias a enfrentar os desafios, incentivando-as a olhar para os filhos para além das limitações impostas pelos preconceitos em torno do autismo.
“Entre consultas médicas, terapias, dúvidas, medo e uma procura incessante por respostas, descobri que havia uma verdade maior do que qualquer diagnóstico: o amor. É ele que abre caminhos onde muitas pessoas apenas conseguem ver limitações”, sublinhou.
Desafios das famílias
Segundo Alexandrina Ferreira, o livro proporciona ao leitor uma viagem emocional pelos desafios que muitas famílias angolanas enfrentam diariamente, entre os quais a procura de escolas especializadas e inclusivas, a escassez de informação sobre o autismo, o preconceito, a discriminação e o sentimento de solidão.
“A obra não é sobre limitações, mas, sim, sobre possibilidades. Vai ajudar os leitores a aprender a celebrar pequenas vitórias que o mundo muitas vezes não vê, a descobrir força quando já não parece existir e a compreender que cada criança tem o seu próprio tempo, a sua forma de comunicar e uma maneira única de ensinar aqueles que a rodeiam”, afirmou.
A autora argumentou que a obra reúne experiências reais, vulnerabilidades e aprendizagens que podem servir de conforto a outras mães e famílias que vivem situações semelhantes.
Mais do que informar, acrescentou, o livro pretende sensibilizar a sociedade para a importância da inclusão, da empatia e do respeito pela diversidade, contribuindo para uma compreensão do autismo para além dos estereótipos.
“A escrita é sensível, honesta e humana. As histórias de amor nunca são escritas nos momentos em que tudo corre bem, mas naqueles em que escolhemos permanecer, acreditar e continuar. Eu preferi continuar e permanecer firme”, disse.
Alexandrina Ferreira considera, por isso, que a obra representa “um abraço” às famílias que, perante um diagnóstico de autismo, chegaram a pensar que estavam sozinhas.
“Saibam que nunca estiveram sozinhas”, concluiu.




