Benguela - O escritor e professor Rui Filipe Gungu recupera, no livro “Memórias de Um Março Inundado”, a tragédia provocada pelas chuvas torrenciais de 11 de Março de 2015, no Lobito, que deixou um saldo de mais de 70 mortos.
Benguela - O escritor e professor Rui Filipe Gungu recupera, no livro “Memórias de Um Março Inundado”, a tragédia provocada pelas chuvas torrenciais de 11 de Março de 2015, no Lobito, que deixou um saldo de mais de 70 mortos.
Lançada a 31 de Julho deste ano, com o apoio da Associação Juvenil para a Solidariedade (AJS), sedeada no Lobito, a obra de Rui Gungu transforma o testemunho pessoal de uma das vítimas numa reflexão sobre a prevenção de calamidades e a resiliência das populações afectadas.
Em declarações à ANGOP nesta sexta-feira, o autor explicou que a obra resulta igualmente de uma experiência pessoal, uma vez que foi uma das vítimas da tragédia, razão pela qual decidiu narrar os acontecimentos na primeira pessoa.
O autor referiu que optou por converter a experiência individual numa reflexão colectiva sobre as consequências das chuvas e as formas encontradas pelas vítimas para resistir à tragédia.
No início da obra, através da epígrafe “Resgatar da Lama”, o escritor procura recuperar uma memória que, segundo afirmou, não deve ser “enterrada pela chuva”, defendendo que o esquecimento dos acontecimentos representaria uma segunda tragédia.
Rui Filipe Gungu espera que “Memórias de Um Março Inundado” chegue às mãos dos decisores políticos e possa contribuir para a adopção de medidas destinadas a prevenir ou mitigar os riscos de novas calamidades na província.
O escritor defendeu que a leitura da obra poderá permitir às entidades competentes conhecer não apenas o testemunho das vítimas, mas também as propostas apresentadas no livro para enfrentar problemas relacionados com as chuvas e as suas consequências.
Embora cerca de 90 por cento da obra esteja centrada nos acontecimentos de 11 de Março de 2015, o livro aborda igualmente episódios relacionados com chuvas ocorridas em Luanda, no Bengo e no próprio Cavaco, em 2024 e 2025.
O autor considerou que cabe às entidades competentes analisar as propostas apresentadas e avaliar em que medida as recomendações contidas na obra podem contribuir para a resolução de problemas relacionados com as calamidades.
Um problema comum
Segundo Rui Filipe Gungu, o livro destina-se a todos os angolanos, uma vez que as consequências das chuvas ultrapassam as pessoas que perderam casas, bens ou familiares, constituindo um problema colectivo.
O escritor chamou ainda a atenção para problemas sociais que continuam a afectar as populações atingidas pelas chuvas, incluindo situações de prostituição infantil registadas em acampamentos onde se encontram alojadas vítimas das recentes inundações.
Para o autor, estas situações demonstram que as consequências das calamidades não terminam com o fim das chuvas, exigindo respostas permanentes por parte do Estado e da sociedade.
O escritor dedicou igualmente uma mensagem especial às mulheres, sobretudo às mães que perderam familiares nas tragédias provocadas pelas chuvas, considerando que a obra pode constituir uma forma de amparo e de solidariedade para quem atravessa situações de sofrimento.
Sobre a calamidade do rio Cavaco, a 12 de Abril deste ano, Rui Filipe Gungu admite não ter ficado surpreendido, lamentando que o país continue a trabalhar pouco na prevenção de calamidades mesmo depois dos acontecimentos do 11 de Março de 2015.
Para Rui Gungu, livros como “Memórias de Um Março Inundado” podem contribuir para estimular a reflexão e apresentar propostas às entidades governamentais, visando reforçar as medidas para evitar a repetição de tragédias com consequências semelhantes.
A primeira edição de “Memórias de Um Março Inundado” tem uma tiragem de mil exemplares, embora, numa primeira fase, estejam disponíveis cerca de 100 exemplares para divulgação e comercialização.
Sobre o escritor
Rui Filipe Gungu nasceu em 1980, em Luanda, é mestre em Finanças, exerce a profissão de professor há 18 anos e frequenta actualmente um doutoramento em Ciências Económicas e Empresariais, na especialidade de Economia, na Universidade dos Açores, em Portugal.
“Memórias de Um Março Inundado” é o quarto livro do escritor, tendo sido editado por Mpanda Panzo (Mbuta Kene) e publicado pela primeira vez em Março de 2026. JH/CRB




