As longas horas passadas ao computador, sobretudo por trabalhadores de áreas administrativas, podem provocar sobrecarga muscular e problemas na coluna, alerta o fisioterapeuta clínico-desportivo Tomás Clemente.
Em entrevista à Rádio Correio da Kianda, o especialista defendeu que empresas e instituições devem prestar maior atenção à postura dos trabalhadores e adoptar medidas de prevenção contra lesões relacionadas com a permanência prolongada numa mesma posição.
Segundo Tomás Clemente, profissionais como bancários, secretários, directores e outros trabalhadores que passam várias horas sentados diante do computador estão particularmente expostos a problemas posturais.
O fisioterapeuta chama igualmente a atenção para as reuniões prolongadas, que podem durar duas, três ou quatro horas, durante as quais os participantes permanecem sentados durante muito tempo.
Para reduzir a sobrecarga sobre a coluna, recomenda que os trabalhadores façam pequenas pausas, levantando-se, caminhando ou simplesmente mudando de posição durante as actividades.
“Quando nós ficamos durante muito tempo sentados, vai fazendo com que a nossa coluna fique muito sobrecarregada”, explicou.
O especialista considera que a prevenção das lesões deve ser uma preocupação das próprias instituições, através da adopção de princípios de ergonomia e da criação de programas de ginástica laboral.
Tomás Clemente defende que as empresas, instituições bancárias, órgãos de comunicação social e outras organizações devem recorrer a profissionais qualificados para avaliar as condições de trabalho e implementar metodologias adequadas de prevenção.
A ginástica laboral, segundo o fisioterapeuta, pode ser realizada em sessões curtas de cinco, dez ou quinze minutos, com exercícios simples destinados a reduzir a tensão muscular e melhorar a mobilidade dos trabalhadores.
O especialista alerta ainda que a preocupação com a postura não deve limitar-se ao ambiente profissional. Hábitos quotidianos, como utilizar o telemóvel com o pescoço constantemente inclinado ou viajar em posições desconfortáveis nos táxis, também podem contribuir para problemas musculoesqueléticos quando repetidos durante longos períodos.
Para Tomás Clemente, investir na ergonomia e na prevenção pode ajudar as instituições a reduzir problemas de saúde relacionados com o trabalho e melhorar o bem-estar e a produtividade dos colaboradores.



