Luanda – A província de Luanda registou 14 mil 792 casos de hepatite B, entre 2021 e o primeiro semestre de 2026, informou, esta sexta-feira, a chefe do Departamento de Saúde Pública do Gabinete Provincial, Luísa Paulo.
Luanda – A província de Luanda registou 14 mil 792 casos de hepatite B, entre 2021 e o primeiro semestre de 2026, informou, esta sexta-feira, a chefe do Departamento de Saúde Pública do Gabinete Provincial, Luísa Paulo.
Ao apresentar a situação epidemiológica das hepatites virais durante o Workshop de encerramento das actividades do Julho Amarelo, Luísa Paulo explicou que os dados resultam das notificações efectuadas por 27 unidades sanitárias, sendo 20 públicas e sete privadas.
Segundo a responsável, a análise da situação epidemiológica abrange o período de 2021 ao primeiro semestre de 2026 e revela uma tendência crescente dos casos notificados, tendo sido registados 1.076 casos em 2021, contra 1.526 no primeiro semestre de 2026.
A responsável esclareceu que o aumento das notificações pode estar relacionado com a intensificação das acções de rastreio e testagem, alertando, entretanto, para a existência de possível sub-notificação, devido à insuficiente capacidade de diagnóstico e notificação em algumas unidades sanitárias.
No período em análise, as gestantes representam a maior parcela dos casos notificados, com 9.650 registos, situação associada à realização do teste de hepatite B durante as consultas pré-natais.
Entre os adultos, foram notificados 2.109 casos do sexo masculino e 3.010 do sexo feminino, enquanto entre as crianças foram registados 12 casos no sexo masculino e 11 no feminino.
Luísa Paulo apontou como principais desafios a baixa notificação de casos, a utilização ainda limitada do sistema de informação, o insuficiente domínio dos técnicos sobre as fichas de notificação e algumas barreiras institucionais na articulação entre os sectores público e privado.
Defendeu, por isso, o reforço da capacitação dos profissionais de saúde, a disponibilização regular das fichas de notificação, o fortalecimento dos mecanismos de referência e contra-referência e a análise periódica dos dados epidemiológicos.
Na abertura do workshop, o director provincial da Saúde de Luanda, Manuel Varela, reafirmou o compromisso do Executivo angolano com a meta global de eliminação das hepatites virais até 2030.
O responsável destacou a necessidade de acelerar as acções de prevenção, rastreio, diagnóstico e tratamento, tendo em conta que as hepatites B e C podem evoluir durante anos sem apresentar sintomas e provocar complicações graves, como cirrose, insuficiência hepática e cancro do fígado.
Manuel Varela apontou ainda como prioridades o aumento da testagem da hepatite B nas mulheres grávidas, de 30 para 70 por cento, a expansão das campanhas de rastreio em toda a província, o aumento da cobertura vacinal e o reforço do diagnóstico precoce.
Recordou que Angola implementou, em 2020, o Protocolo Nacional de Prevenção, Diagnóstico, Tratamento e Cuidados em Hepatites Virais, inicialmente em 10 províncias, com apoio técnico da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de parceiros nacionais.
O director provincial sublinhou que as hepatites virais constituem um desafio de saúde pública e apelou ao envolvimento de todos os sectores na prevenção e controlo da doença.
O workshop marcou o encerramento das actividades do Julho Amarelo, sob o lema “Eliminação para todos, em todos os lugares, agora mesmo”, iniciativa dedicada à sensibilização, prevenção, rastreio e combate às hepatites virais.FG/DP




