Luta de gangues em Cacuaco “sem fim à vista”, denunciam populares

A situação da criminalidade em alguns bairros de Cacuaco continua alarmante e, segundo populares, reflecte um desafio de segurança pública que parece persistir à margem das operações da Polícia.
A guerra entre grupos rivais, com recurso a catanas, paus, garrafas e outros meios contundentes no município de Cacuaco, não é apenas uma questão de criminalidade comum, mas um fenómeno social complexo que continua a afetar o quotidiano de muitos cidadãos daquele município, revelaram neste sábado, 22, ao Correio da Kianda, durante uma reportagem.
As ruas dos bairros IBA e Boa Esperança, por exemplo, são apontadas como das que mais têm recebido operações da Polícia. Ainda assim, a luta entre grupos rivais parece não ter fim.
No bairro Balumuka, moradores apontam adolescentes com idades entre os 11 e os 16 anos como os que comandam os chamados “Wówós” (lutas entre grupos rivais), que muitas vezes, a qualquer hora do dia, transformam as ruas do bairro num cenário de terror que frequentemente termina em sangue.
“Aqui, se passar apenas uma pessoa da rua de trás que faça parte de outro grupo e for reconhecida por membros do grupo daqui, se sair viva é sorte, porque aqui são catanas e garrafas que mais se usam para confrontar os grupos rivais”, disse ao Correio da Kianda Dorivado José, de 39 anos, morador do bairro Balumuka há mais de 20 anos e professor universitário.
“Os confrontos aqui são violentos, não são de brincadeira, geram pânico e desgraçam famílias. Temos tido muitos óbitos tanto aqui no Balumuka como no bairro Esperança, todos resultantes dos ‘Wówós’, como eles próprios apelidaram estas lutas de grupos”, afirmou Júlia Jaime ao Correio da Kianda.
Uma fonte junto da Polícia em Luanda, contactada pelo Correio da Kianda para comentar os relatos dos populares em Cacuaco, minimizou as denúncias, afirmando tratar-se de casos isolados que ocorrem ocasionalmente, mas que são do conhecimento das autoridades policiais do município.



