Mais de seis mil famílias recebem prestações monetárias do Kwenda

Os agregados familiares que beneficiaram, no período de 7 a 20 de Maio deste ano, das Transferências Sociais Monetárias (programa Kwenda), nos municípios de Mavinga, Dima e Luengue, na província do Cuando, aplaudiram esta iniciativa do Executivo e almejam melhores condições de vida com os valores recebidos.
Cada agregado familiar recebeu 132 mil kwanzas, referentes a quatro prestações trimestrais. Para o efeito, foram desembolsados 895 milhões e 132 mil kwanzas que beneficiaram 6.785 agregados familiares, pelo que esse dinheiro vai lhes permitir adquirir meios para o seu sustento e apostarem em actividades geradoras de renda.
Fátima Netunda, de 70 anos de idade e primeira beneficiária a receber os valores do programa Kwenda das mãos do governador do Cuando, Lúcio Amaral, em Mavinga, agradeceu o gesto do Executivo em implementar este programa de apoio às famílias mais vulneráveis.
A idosa revelou que os 132 mil kwanzas que recebeu serão destinados na resolver o seu problema de saúde, por se encontrar já há vários anos doente e sem dinheiro para um tratamento mais eficaz.
Segundo a beneficiária, o dinheiro que recebeu é uma grande oportunidade para fazer, também, um pequeno negócio para o seu sustento e dos netos que toma conta, para que eles possam crescer bem e quiçá se formar para terem uma vida melhor.
Domingos Jacob Milagre, de 45 anos de idade, outro beneficiário de Mavinga, disse que dos 132 mil kwanzas que recebeu, vai investir a maior parte do dinheiro na compra de sementes, enxadas e catanas, para o aumento da produção na área de cultivo de três hectares.
“O programa Kwenda chegou em boa altura no município de Mavinga, visto que vai dinamizar a prática da agricultura, porque a maioria dos camponeses enfrenta inúmeras dificuldades para a aquisição de insumos agrícolas, com maior destaque para sementes e alguns instrumentos de trabalho”, disse.
Com os 132 mil kwanzas que recebeu do Kwenda, disse, vai conseguir comprar os meios que mais necessita para o aumento da produção e diversificação da actividade agrícola.
Para o desmobilizado de guerra Alberto Manuel, de 64 anos de idade e residente no município do Dima, os 132 mil kwanzas que recebeu vão servir para a compra de gado caprino e suíno, para criação e posterior venda, com intuito de obter renda para o sustento da família.
“Com os valores que recebi do Kwenda vou dar um passo importante na minha vida. Doravante, criarei animais, com destaque para cabritos e porcos, por se reproduzirem muito e em pouco tempo”, justificou.
Alberto Manuel, como um dos benificiários do Kwenda, agradeceu, também, o gesto do Executivo, visto que desde a sua desmobilização nunca recebeu nenhum apoio.
Mavinga com o maior número de beneficiados
O director do Instituto de Desenvolvimento Local-FAS no Cuando e no Cubango, Zeferino Cavalo, explicou que, inicialmente, estava previsto serem contemplados 6.887 agregados familiares previamente cadastrados, mas por razões diversas, registou-se, no momento da entrega dos valores, a ausência de 102 famílias.
Zeferino Cavalo esclareceu que das 6.785 famílias beneficiárias, 4.722 são do município de Mavinga, 1.167 do Dima e 896 do Luengue, a maioria das quais tem intenção de apostar na agricultura, pesca, criação de gado bovino, suíno, caprino e aves, assim como no comércio de bens alimentares, bebidas, vestuário e calçados.
Durante a entrega dos valores do Kwenda, disse, constatou-se alguns constrangimentos relacionados com a dispersão das populações, mau estado das vias de acesso e algumas falhas técnicas. Apesar destas dificuldades, acrescentou, as equipas do FAS tudo fizeram para que o processo decorresse sem sobressaltos.
O director do FAS informou o registo de uma falha tecnológica, que impediu um dos smartphones usados para o cadastramento de 197 famílias de enviar todos dados recolhidos para a central do FAS. Isso obrigou uma confirmação das informações recolhidas casa a casa para que ninguém ficasse de fora.
Processo menos demorado
Zeferino Cavalo disse que este processo foi menos demorado, uma vez que em cerca de 45 dias se fez o cadastramento e a entrega dos valores aos beneficiários. Os processos anteriores, recordou, foram realizados num período entre 60 a 90 dias.
O responsável informou que, a nível da província do Cuando, existem cerca de 21.699 agregados familiares em situação de vulnerabilidade, dos quais 19.180 já beneficiaram das Transferências Sociais Monetárias. Com essa empreitada, o programa Kwenda já desembolsou mais de dois mil milhões de kwanzas.
Prova do engajamento do Executivo
O governador da província do Cuando, Lúcio Amaral, disse que a implementação do Kwenda nos municípios de Mavinga, Dima e Luengue vai permitir resolver alguns problemas que afligem as populações, principalmente no que concerne à falta de recursos financeiros para a compra de bens alimentares e outros produtos.
Lúcio Amaral destacou que o programa Kwenda é prova do engajamento do Executivo em proporcionar o bem-estar ao povo do Cuando e não só, uma vez que o mesmo está a ter um grande impacto na vida das populações.
O governador sublinhou que os nove municípios que compõem a província do Cuando já beneficiaram do programa Kwenda, nomeadamente Mavinga, Dima, Luengue, Dirico, Mucusso, Rivungo, Cuito Cuanavale, Luiana e Chipundo.
Lúcio Amaral considerou importante que a Direcção-Geral do FAS avalie a implementação do projecto de inclusão produtiva das populações da província do Cuando, tendo em conta os hábitos e costumes locais.
A agricultura na região, disse, é um dos factores preponderantes, mas é quase praticada com recurso a charruas de tracção animal. Apelou para que se crie condições, permitindo aos camponeses desenvolver melhor esta actividade e aumentarem os níveis de produção.
Para o efeito, defendeu a necessidade da criação de canais ou a entrega de sistemas de irrigação aos camponeses associados em cooperativas como uma das soluções para o fomento da agricultura a nível da província do Cuando, por causa da irregularidade da chuva.
Apelo aos beneficiários
O governante apelou aos beneficiários do programa Kwenda dos municípios de Mavinga, Luengue e Dima para usarem os valores que receberam em acções que visem o desenvolvimento humano, familiar e potenciar o seu crescimento económico sustentável.
“Esperamos que os benefícios do Kwenda impactem positivamente na melhoria da dieta alimentar, no desenvolvimento cognitivo das crianças, aumentem o acesso aos serviços essenciais de saúde, educação e justiça, proporcionem melhor ambiente familiar e mais oportunidades de realização dos direitos de cada cidadão”, apelou.
Segundo o governante, desta maneira, dar-se-á mais importância à componente de inclusão produtiva, que consiste na identificação de actividades geradoras de rendimento, no sentido de potenciar a capacidade de produtividade, financeira e o poder de compra das famílias de forma sustentável.
Redistribuição da riqueza
Lúcio Amaral disse que o Kwenda, segundo as boas práticas internacionais, é um veículo com maior eficácia para apoiar as famílias em situação de vulnerabilidade e cientificamente comprovado como a forma mais justa de distribuição da riqueza de um país, pois possibilita a inclusão dos mais necessitados nas políticas sociais.
As Transferências Sociais Monetárias, sublinhou, aumentam a renda de consumo para as famílias mais carenciadas, promovem a inclusão dos beneficiários em actividades geradoras de rendimento nas áreas rurais, reforçam o sistema de protecção social de base para o bem-estar da população em situação de vulnerabilidade, entre outras vantagens.
Lúcio Amaral disse que para o desenvolvimento social, o Governo do Cuando propõe-se a trabalhar na abertura de vias rodoviárias, para facilitar a circulação de pessoas e bens, impulsionar a economia local, através das trocas de produtos do campo e atrair o sector privado para investir no turismo e em outras áreas de interesse na província.
“É nossa pretensão que todas forças vivas da província e não só olhem para as suas potencialidades hídricas, aproveitando essa riqueza para o desenvolvimento da agricultura, a fim de atingirmos o objectivo, que é acabar com a fome e a pobreza”, disse.
O processo de entrega das Transferências Sociais Monetárias às famílias do município de Mavinga contou com a participação do director-geral do FAS, Belarmino Jelembi.
Implementação do Programa de Inclusão Produtiva
O coordenador da região Centro e Sul da área de Inclusão Produtiva (IP) do Instituto de Desenvolvimento Local-FAS, Custódio Satiaca, informou que neste momento existem vários pontos críticos já identificados no Cuandoque precisam ser devidamente estudados com o Governo local, para que os agregados familiares na província possam beneficiar também do Programa de Inclusão Produtiva.
As questões ligadas à produção de cereais, leguminosas e hortaliças, falta de poder de compra nos mercados onde são escoados os produtos do campo, acção nefasta dos animais selvagem, irregularidades das chuvas e a falta de moageiras, adiantou, são alguns pontos críticos já identificados que poderão ser ultrapassados com o apoio do Governo local e do Executivo.
“Em algumas regiões da província do Cuando não há poder de compra. Os pequenos negociantes que aparecem nas aldeias procuram efectuar permuta de produtos, razão pela qual é necessário que haja vias de acesso para que os bens possam ser transportados para os municípios de Mavinga, Cuito Cuanavale e outras localidades de maior aglomeração populacional”, defendeu.
Custódio Satiaca informou que o programa Inclusão Produtiva já beneficiou, de forma directa, desde Maio de 2020 até ao presente, 53.722 agregados familiares e indirectamente 268.610 pessoas em 17 províncias e 46 municípios do país.
Em declarações ao Jornal de Angola, o responsável esclareceu que os beneficiários deste programa são das províncias do Huambo, Huíla, Benguela, Bié, Cuanza-Norte, Cuanza-Sul, Malanje, Luanda, Icolo e Bengo, Uíge, Bengo, Cubango, Lundas Norte e Sul, Cabinda, Cunene e Moxico. Em breve, o programa vai abranger alguns municípios do Cuando.
Beneficiários
Custódio Satiaca informou que os beneficiários da Inclusão Produtiva são, igualmente ,os das Transferências Sociais Monetárias, desde que os estes se mostrem disponíveis para o efeito e apresentem um projecto de negócio viável de qualquer sector de actividade.
Para o êxito do Programa de Inclusão Produtiva, disse, o FAS criou, nos últimos dois anos, mais de 133 Caixas Comunitárias nas províncias da Huíla, Bié, Cuanza-Sul e Huambo, para que as famílias vulneráveis possam beneficiar dos projectos do sector agrícola e comércio que estão a ser gizados pelo Executivo.
Custódio Satiaca esclareceu que as Caixas Comunitárias funcionam nas localidades onde existem agências bancárias e cada grupo composto por 120 pessoas apresenta as suas opções de renda para receber sete milhões de kwanzas como investimento, que serão distribuídos aos integrantes.
O Kwenda é uma iniciativa do Governo de Angola, pois tem como objectivo apoiar as famílias em situação de pobreza e vulnerabilidade. É implementado pelo FAS-Instituto de Desenvolvimento Local e está inserido no âmbito do Programa de Fortalecimento da Protecção Social.
O Programa visa apoiar 1.608.000 mil famílias em situação de pobreza ou vulnerabilidade no país. Está avaliado em 420 milhões de dólares, sendo financiado em 320 milhões pelo Banco Mundial e 100 milhões proveniente do Tesouro Nacional.
O mesmo comporta as componentes de Transferências Sociais Monetárias, Inclusão Produtiva, Municipalização da Acção Social e Reforço do Cadastro Social Único.
O programa Kwenda, que vai na segunda fase, tem recebido elogios de várias organizações, pelo impacto que tem na vida das famílias mais vulneráveis.


