Malanje - Vinte e nove casos de suicídio de diversas naturezas foram registados, de Janeiro a Setembro deste ano, na província de Malanje, afirmou o responsável da área dos Suicídios do Serviço de Investigação Criminal (SIC), Euclides de Almeida.
Malanje - Vinte e nove casos de suicídio de diversas naturezas foram registados, de Janeiro a Setembro deste ano, na província de Malanje, afirmou o responsável da área dos Suicídios do Serviço de Investigação Criminal (SIC), Euclides de Almeida.
O responsável, que falava hoje no 1º Fórum Provincial sobre o Suicídio, promovido pelo Núcleo Provincial da Ordem dos Psicólogos de Malanje, no âmbito da campanha Setembro Amarelo, precisou que houve um aumento de casos em 2026 face ao ano anterior.
Segundo Euclides de Almeida, em 2025 foram registados 27 casos, um cenário que desperta grande preocupação e exige um esforço conjunto de toda a sociedade para reverter a situação.
Entretanto, o coordenador do Núcleo Provincial de Psicólogos de Malanje, Veloz Dala, explicou que o fórum visa consciencializar os cidadãos sobre os factores de risco.
Frisou que a prioridade é capacitar a sociedade para identificar rapidamente os sinais de alerta em familiares e recorrer às instâncias competentes, como hospitais, psicólogos e órgãos de segurança, incluindo os bombeiros, que estão preparados para responder a estas emergências.
Já o psicólogo Cirilo Mendes destacou que o suicídio decorre de múltiplos factores, o que exige uma rede de prevenção multidisciplinar que envolva a família, a escola e a comunidade.
O especialista esclareceu que a depressão é a doença predominante na grande parte dos indivíduos com comportamentos suicidas.
Porém, salvaguardou que, embora um estado depressivo possa levar ao suicídio, nem todos os casos são causados pela depressão, existindo outros factores influentes.
Cirilo Mendes reforçou que, ao respeitar o princípio da especialidade e ao contar com a intervenção activa destes actores sociais, muitos casos poderiam ser prevenidos com eficácia.
A chefe do Departamento de Saúde Mental do Hospital Regional de Malanje, Lisineide Cruz, informou que a unidade atende, actualmente, uma média de 30 pacientes por dia em consultas psicológicas.
Segundo a responsável, ao contrário do passado, em que ir ao psicólogo era considerado um tabu, regista-se actualmente uma forte procura por estes serviços.
Lisineide Cruz precisou ainda que a equipa tem conseguido dar resposta eficaz tanto aos casos de saúde mental em geral como aos pacientes que apresentam ideias ou tentativas de suicídio.
O padre Pedro Luís disse que do ponto de vista doutrinário e do Magistério da Igreja Católica, o suicídio é considerado uma violação grave da lei divina.
Afirmou que embora o Direito Canónico tradicionalmente restringisse as orações e as exéquias fúnebres eclesiásticas nestes casos, o actual Catecismo da Igreja Católica promulgado pelo Papa São João Paulo II, em 1992 adopta uma postura mais pastoral e cautelosa.
Acrescentou que o documento refere que a misericórdia de Deus está sempre reservada à alma humana, aplicando o princípio teológico de que se condena o acto do suicídio, mas não se condena o suicida.
Os participantes no fórum enalteceram a iniciativa e defenderam a necessidade urgente de haver maior empatia e sensibilidade para com o próximo, apontando o acolhimento e o apoio emocional como ferramentas essenciais para prevenir novos casos de suicídio.PBC




