Mau estado da via ameaça cortar ligação no percurso Kivola-Nóqui

Centenas de camionistas filiados à Associação dos Transportadores Rodoviários de Mercadorias de Angola (ATROMA) podem suspender as suas viagens ao município do Nóqui, na província do Zaire.
O alerta foi dado ontem pelo secretário-geral da organização, em declarações ao Jornal de Angola, justificando que o mau estado do troço ameaça cortar definitivamente a circulação entre a localidade de Kivola e a sede municipal. O abandono da rota pelos transportadores poderá ditar uma crise de desabastecimento na região fronteiriça. Miguel Domingos, que se encontra no Zaire para monitorizar o tráfego dos mais de 300 camiões que operam na região, descreveu como “lastimáveis” as condições da estrada. O responsável alertou que o estado precário da infra-estrutura rodoviária coloca em risco a segurança dos motoristas e a integridade das cargas, atrasando significativamente os prazos de entrega. Miguel Domingos acrescentou ser quase impossível as viaturas chegarem ao Nóqui sem registarem avarias graves, como a quebra de molas e o desgaste prematuro de pneus. A par disso, apontou a ocorrência de acidentes frequentes e a deterioração de mercadorias perecíveis como factores que tornam a situação bastante constrangedora para o sector. “Planeamos uma viagem calculando um ou dois dias com o camião carregado, mas vários factores prolongam o percurso para quatro ou cinco dias. Primeiro, enfrentamos o problema da falta constante de combustível no trajecto entre o Nzeto e Mbanza Kongo. Segundo, devido ao mau estado do troço Kivola-Nóqui, que tem apenas 26 quilómetros, demoramos um a dois dias a percorrê-lo, mesmo nesta época seca”, relatou o motorista. Paralisação A ATROMA, na qualidade de representante dos camionistas, pede que se apresentem os resultados concretos da aplicação das receitas fiscais rodoviárias — nomeadamente os impostos sobre veículos em circulação — na reabilitação das estradas. A organização alertou que, caso não sejam tomadas medidas urgentes, a classe poderá avançar para uma paralisação total dos serviços de transporte de mercadorias no país. “Dentro de 15 a 20 dias, caso a situação lastimável do troço Kivola–Nóqui persista, a posição da ATROMA será paralisar a frota nesta rota. Exigiremos a aplicação transparente das receitas do Imposto sobre os Veículos Motorizados (IVM) pago pelos camionistas, pois esperamos o devido retorno em infra-estruturas", acrescentou. Apesar da perspectiva de paralisação da frota pelos transportadores, Miguel Domingos manifestou optimismo numa resolução célere. O dirigente referiu acreditar que, num curto espaço de tempo, haverá uma intervenção de emergência no troço afectado, sublinhando que confia na boa-fé do Estado para salvaguardar o sector. De acordo com o responsável, os camionistas não exigem que a via seja asfaltada de imediato, mas pedem uma acção paliativa que garanta uma circulação razoável. O objectivo é realizar trabalhos de terraplanagem que permitam encurtar o tempo de viagem no local para, pelo menos, uma a duas horas. A decisão da ATROMA de paralisar a frota deve-se aos graves prejuízos acumulados pelos camionistas na rota do Zaire. Segundo Miguel Domingos, o mau estado das estradas provoca avarias frequentes, sinistralidade e atrasos graves que inviabilizam os prazos contratuais de entrega de cinco dias, resultando na deterioração de alimentos e na rescisão de contratos com os clientes.


