A criação de programas de capacitação em grande escala para profissionais de saúde foi defendida sábado, em Luanda, pela psiquiatra Fausta da Conceição, com o objectivo de melhorar a identificação e o acompanhamento dos transtornos mentais mais comuns na sociedade.
A especialista, que falava no encerramento do 1.º Congresso de Psiquiatria e Saúde Mental, subordinado ao lema “Um Olhar para o Futuro”, tendo considerado, igualmente, necessária a implementação de equipas de saúde mental nos serviços de saúde, seguindo o modelo de cuidados integrados.
Fausta da Conceição, também vice-presidente do congresso, considerou fundamental o envolvimento de líderes comunitários, igrejas e órgãos de comunicação social na desmistificação dos tabus associados à saúde mental em Angola.
A psiquiatra recomendou, igualmente, o aumento do orçamento destinado à saúde mental e a garantia da aquisição regular de medicamentos essenciais. “Precisamos investir na prevenção, no conhecimento e na construção de respostas mais eficazes para as necessidades das gerações presentes e vindouras”, sustentou.
A especialista defendeu, ainda, a descentralização dos serviços de psiquiatria, considerando que, apesar dos avanços registados em algumas províncias, o sector continua a enfrentar desafios relacionados com o défice de especialistas e a necessidade de formação contínua dos profissionais dos cuidados primários de saúde.
Entre os desafios apontados estão, também, a insuficiência de programas de prevenção e promoção da saúde mental nas escolas, locais de trabalho e nas comunidades, bem como a falta de dados epidemiológicos nacionais capazes de orientar a definição de políticas públicas.
Cooperação entre países lusófonos
Por sua vez, a presidente da Associação para Promoção da Saúde Mental de Moçambique, Lídia Gouveia, defendeu o reforço da cooperação entre os Países de Língua Portuguesa no domínio da saúde mental, salientando que a parceria deve ultrapassar a vertente económica e privilegiar, igualmente, a formação e a investigação.
A especialista em psiquiatria considerou importante a criação de campos de estágio entre os países lusófonos, para permitir aos profissionais adquirir experiências e conhecer diferentes culturas e realidades.
Lídia Gouveia referiu que Moçambique já recebeu profissionais do Brasil e de Portugal e que, actualmente, possui capacidade interna para a formação de especialistas, defendendo a continuidade do intercâmbio, sobretudo na área da investigação científica.
Sobre o tratamento dos transtornos mentais, a médica destacou o papel da família, que deve ser considerada um dos pilares do processo terapêutico e da reinserção social dos pacientes.
Segundo Lídia Gouveia, a psicoeducação das famílias é essencial para que os parentes compreendam a doença e saibam como apoiar os seus familiares.
A especialista sublinhou, ainda, que este processo contribui para a redução do sentimento de culpa entre os familiares, uma vez que determinadas doenças mentais apresentam componentes genéticos que podem aumentar a vulnerabilidade do indivíduo, sem que isso signifique responsabilidade da família.




