Médicos alertam que limitações do sistema de saúde comprometem qualidade da assistência

O Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (SINMEA) alerta que as limitações existentes no sistema nacional de saúde estão a comprometer a qualidade da assistência prestada aos cidadãos e dificultam o cumprimento dos protocolos recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Em declarações exclusivas à Rádio Correio da Kianda, o presidente do SINMEA, Adriano Manuel, apontou as condições precárias de trabalho, a insuficiência de medicamentos, a escassez de recursos humanos e as limitações laboratoriais como alguns dos principais factores que condicionam a actuação dos profissionais de saúde.
Segundo o médico, Angola possui um sistema de saúde com fragilidades na articulação entre os diferentes níveis de assistência primário, secundário e terciário situação que, na sua avaliação, contribui para o aumento dos riscos e dos índices de mortalidade.
“Nós temos um sistema de saúde não funcional em que não existe uma articulação entre o sistema primário, secundário e terciário, o que proporciona um elevado índice de mortalidade”, afirmou.
As declarações surgem após a divulgação de recomendações da OMS que defendem maior investimento no sector, reforço dos cuidados primários, garantia de medicamentos essenciais e redução das desigualdades no acesso aos serviços de saúde.
Adriano Manuel considera que, apesar da importância dessas orientações, a realidade das unidades sanitárias angolanas nem sempre permite a sua aplicação integral.
O presidente do SINMEA explicou que a ausência de determinados medicamentos obriga, em alguns casos, os profissionais a recorrerem a alternativas terapêuticas, o que pode contribuir para o surgimento de resistência aos antibióticos.
“Existem determinadas doenças que devem ser abordadas com determinado tipo de medicamento, mas quando vamos verificar, esse é o medicamento que nós não temos e somos obrigados, algumas vezes, a usar medicamentos de amplo espectro”, explicou.
Para o sindicato, a melhoria da qualidade dos serviços de saúde passa pelo reforço das condições de trabalho, investimento em recursos humanos, melhoria da capacidade dos laboratórios e garantia de meios essenciais para que os profissionais possam seguir as normas internacionais de tratamento.



