O medo de procurar informação e de realizar exames relacionados com o cancro da mama continua a ser um dos factores que dificultam o diagnóstico atempado da doença, segundo a psicoterapeuta comportamental Jandira Miranda.
A especialista falava no programa Saúde em Sintonia, da Rádio Correio da Kianda, no âmbito do Outubro Rosa, campanha dedicada ao reforço da consciencialização e prevenção do cancro da mama.
Jandira Miranda defende que falar sobre a doença é uma forma de combater o medo e incentivar as mulheres a procurarem acompanhamento médico sempre que identificarem alterações ou tiverem factores de risco.
Entre os aspectos que considera importantes estão os hábitos alimentares, os produtos utilizados no corpo e, sobretudo, o conhecimento do histórico familiar, tanto da família directa como indirecta.
Para a especialista, o receio de descobrir um eventual problema pode levar algumas mulheres a adiar a procura de informação ou de assistência médica, reduzindo as possibilidades de uma intervenção atempada.
A Organização Mundial da Saúde destaca que a detecção e o tratamento precoces do cancro da mama reduzem a mortalidade, sendo fundamental reconhecer sinais e sintomas e procurar avaliação médica sem demora.
Jandira Miranda explicou ainda que, quando a doença é identificada numa fase inicial, o tratamento pode ser menos complexo em alguns casos, dependendo do tipo e do estágio do tumor. A OMS confirma que o tratamento do cancro da mama varia de acordo com o subtipo e a extensão da doença.
A psicoterapeuta defende igualmente que o acompanhamento psicológico deve fazer parte do apoio dado aos pacientes oncológicos, sobretudo para ajudar a lidar com o medo, a ansiedade e as alterações emocionais provocadas pelo diagnóstico e pelo tratamento.
A necessidade de apoio psicossocial aos doentes com cancro é também reconhecida pela OMS, que considera a saúde mental e o suporte psicológico componentes importantes dos cuidados prestados às pessoas afectadas pela doença.
Jandira Miranda considera que sinais como alterações persistentes do sono, irritabilidade, crises frequentes de choro, sentimentos de incapacidade ou dificuldade em lidar emocionalmente com o diagnóstico devem levar o paciente a procurar ajuda especializada.
“Se por causa da preocupação natural do processo o meu sono fica alterado e eu começo a ter explosões, irritabilidade, um choro excessivo constante, se começar a sentir pena de mim mesma, abraçar uma síndrome de impostora de que não vou conseguir superar esta situação, é altura de procurar apoio terapêutico”, afirmou.
A especialista recomenda ainda que os pacientes procurem redes de apoio, incluindo acompanhamento psicológico, apoio familiar e, para quem assim o desejar, apoio espiritual.
Entre os cuidados gerais, apontou a importância de uma alimentação equilibrada e da prática de actividade física, sempre de acordo com as condições e orientações dos profissionais de saúde.
Sobre os exames, Jandira Miranda defendeu a realização de avaliações médicas para acompanhar alterações na mama. No entanto, a escolha entre ecografia, mamografia ou outros exames deve ser feita de acordo com a idade, sintomas e factores de risco de cada mulher. A OMS salienta que a mamografia é utilizada no rastreio de determinadas faixas etárias e que a investigação de alterações suspeitas deve seguir avaliação clínica e orientação médica.
A mensagem central deixada pela especialista durante o Saúde em Sintonia foi a de que o medo não deve impedir a procura de informação, avaliação médica e apoio psicológico.
No Outubro Rosa, a orientação é para que as mulheres estejam atentas ao próprio corpo, procurem assistência perante alterações suspeitas e não adiem uma avaliação por receio do diagnóstico.




