Benguela - A ministra do Ambiente, Ana Paula de Carvalho Pereira, anunciou, esta quarta-feira, a intenção de se estabelecer uma Agenda Regional Sul de Educação Ambiental, com acções prioritárias que sejam implementadas conjuntamente por diferentes províncias.
Benguela - A ministra do Ambiente, Ana Paula de Carvalho Pereira, anunciou, esta quarta-feira, a intenção de se estabelecer uma Agenda Regional Sul de Educação Ambiental, com acções prioritárias que sejam implementadas conjuntamente por diferentes províncias.
Ao discursar na abertura do Encontro Regional Sul de Educação Ambiental, que decorreu em Benguela, sob o lema “Desafios Comuns, Soluções Partilhadas”, a governante perspectivou que as acções de educação ambiental venham a ser replicadas em todo o país.
Para a ministra do Ambiente, a futura Agenda Regional Sul de Educação Ambiental será muito mais do que um documento, ou seja, o desafio é torná-la num instrumento de trabalho, cooperação e mobilização dos diferentes actores em diferentes províncias.
Deste modo, apontou a gestão de resíduos sólidos como uma das áreas que requer maior atenção, por estar directamente relacionada com o saneamento, saúde pública, protecção dos solos, dos aquíferos e com a qualidade de vida das populações.
Considerou que a resiliência ambiental da região Sul dependerá da cooperação entre os governos provinciais, administrações locais, instituições de ensino e investigação, empresas, organizações da sociedade civil, parceiros de desenvolvimento e comunidades.
“O futuro ambiental da nossa região começa nas decisões que tomamos hoje. E cada decisão conta, cada comportamento conta, cada comunidade mobilizada conta”, enfatizou.
Experiência de Benguela
Destacou os resultados iniciais do modelo de recolha de resíduos porta-a-porta implementado em Benguela, considerando a experiência um passo importante na procura de soluções adequadas à realidade local.
Segundo a ministra, a experiência de Benguela deve ser permanentemente avaliada e partilhada com outras províncias, de modo a permitir que iniciativas locais possam transformar-se em respostas regionais.
Sublinhou, entretanto, que a melhoria da gestão de resíduos não depende apenas dos sistemas de recolha, mas também da forma como os cidadãos produzem, consomem, reutilizam e descartam os materiais.
Por outro lado, defendeu que é preciso transformar a educação ambiental numa cultura colectiva, visando reforçar a capacidade de resposta aos desafios ambientais na região Sul de Angola, com o envolvimento das instituições públicas e privadas, escolas, comunidades, empresas e organizações da sociedade civil.
Nesse contexto, a titular da pasta do Ambiente destacou a importância de uma actuação coordenada das províncias diante de problemas como as alterações climáticas, degradação dos ecossistemas, pressão sobre os recursos naturais e gestão de resíduos sólidos.
Segundo a ministra, os desafios ambientais da região Sul “não conhecem fronteiras administrativas”, razão pela qual defendeu respostas coordenadas, consistentes e adaptadas às especificidades de cada comunidade.
“A educação ambiental deve ocupar um papel central nas nossas estratégias”, afirmou, acrescentando que educar para o ambiente significa também formar cidadãos capazes de compreender a relação entre as suas escolhas quotidianas e o equilíbrio dos ecossistemas.
Redução de plásticos
No domínio da redução da poluição causada pelos plásticos, a governante referiu-se ao Plano de Acção Nacional de Eliminação Progressiva de Plásticos de Utilização Única 2025-2027, em linha com a legislação nacional aplicável.
Para tal, apelou a uma ampla participação dos cidadãos, produtores, importadores, comerciantes, operadores económicos e demais intervenientes, para garantir a eficácia das medidas do referido plano.
“A mudança começa também com pequenos actos, como a recusa de produtos descartáveis, quando existem alternativas reutilizáveis, a utilização repetida de sacos e a separação correcta dos resíduos", referiu.
A ministra acredita que estas práticas podem contribuir para uma mudança cultural e, simultaneamente, abrir oportunidades para a inovação, o empreendedorismo e o desenvolvimento da economia circular.
Por outro lado, a ministra alertou para a importância da integração da educação ambiental nas escolas, igrejas, quartéis, mercados, bairros, empresas, comunidades rurais e espaços públicos.
"A protecção ambiental deve ser assumida como responsabilidade colectiva. Precisamos transformar a consciência ambiental em cultura colectiva”, concluiu. JH/CRB




