A ministra da Educação, Érika Aires, apelou esta Segunda-feira, 14, em Ndalatando, no Cuanza-Norte, à ponderação dos professores para evitar uma paralisação das aulas e defendeu o diálogo como caminho para encontrar soluções duradouras para os problemas do sector.
O apelo surge numa altura em que o Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF) mantém a possibilidade de avançar para uma greve, cuja primeira fase está prevista para começar no dia 21 de Setembro e prolongar-se até 15 de Outubro.
Érika Aires pediu aos professores que tenham em conta as consequências de uma eventual paralisação para as crianças e defendeu a necessidade de as partes continuarem a procurar entendimentos através do diálogo.
A posição da ministra ocorre poucos dias depois de uma reunião entre o Ministério da Educação e o SINPROF ter terminado sem consenso sobre as principais reivindicações da classe.
O secretário-geral do sindicato, Admar Jinguma, afirmou que o encontro terminou “sem avanços” e considerou que se tratou de um “diálogo de surdos”, argumentando que, para o SINPROF, o diálogo só tem valor quando resulta em soluções concretas para os problemas dos professores.
Entre as principais reclamações do sindicato está o alegado incumprimento de compromissos assumidos no acordo celebrado a 8 de Janeiro entre o Executivo e o SINPROF.
O sindicato exige, entre outras medidas, a inclusão de professores que considera terem sido injustamente excluídos do Concurso de Ingresso Interno e de Acesso, a reavaliação desses processos pelas comissões conjuntas do Ministério da Educação e do SINPROF e o enquadramento dos professores admitidos no Sistema Integrado de Gestão Financeira do Estado, SIGFE.
O SINPROF sustenta ainda que milhares de professores admitidos continuam sem garantias de enquadramento na folha salarial do Ministério das Finanças. Segundo dados apresentados pelo sindicato, o acordo previa 53.755 agentes, dos quais cerca de 50 mil já terão sido admitidos.
A organização sindical acusa o Ministério da Educação de não cumprir parte substancial dos compromissos assumidos e afirma que a situação afecta a valorização da carreira docente e a confiança entre as partes.
Apesar da tensão nas negociações, a decisão final sobre o avanço da greve foi colocada nas mãos dos professores, depois das assembleias realizadas nas províncias para analisar os resultados das negociações com o Ministério da Educação.
A primeira fase da paralisação está prevista para 21 de Setembro a 15 de Outubro, estando igualmente previstas outras fases entre Dezembro de 2026 e Junho de 2027, caso a greve avance.
Com o início do ano lectivo em curso, o apelo da ministra ao diálogo procura evitar uma nova interrupção das aulas, enquanto o SINPROF continua a exigir respostas concretas para as reivindicações da classe docente.




